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31/08/2016

30% das mães acreditam em discriminação por filhos não terem mesmas coisas que colegas

Pesquisa do SPC Brasil revela que os pais e responsáveis podem fazer com que os filhos sejam mais consumistas

Três em cada dez mães de crianças brasileiras acreditam que os filhos são discriminados na escola ou em outros ambientes quando não têm os mesmos brinquedos que os colegas têm. O levantamento, divulgado recentemente pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) com apoio da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), traz preocupações em relação ao consumismo nas famílias.

A pesquisa ouviu 843 mães, nas 26 capitais de estados e no Distrito Federal. As participantes têm filhos com idades entre dois e 18 anos. Segundo os organizadores, só mulheres foram ouvidas para tentar neutralizar as diferenças de relacionamentos entre pais e mães com os filhos na hora de obter as respostas.

O resultado do estudo mostrou, ainda, que 39,8% das mães entrevistadas disseram que há disputas entre as famílias de colegas de seus filhos quando o assunto é a posse de determinados bens (como roupas, calçados e brinquedos) ou o acesso a serviços (especialmente viagens). Além disso, 23% das mães ouvidas afirmam que se sentem desconfortáveis quando percebem que os colegas de seus filhos têm produtos melhores ou mais caros.

“Não importa a idade da criança ou do adolescente e nem a classe social à qual pertence. Na escola sempre há produtos que estão na moda e os alunos que não os têm podem ser discriminados pelos colegas. É um aspecto que existe em todas as faixas etárias, e as estatísticas mostram isso”, afirma a economista Marcela Kawauti, economista do SPC Brasil.

Para a psicóloga clínica Ana Claudia Vargas, que tem formação em terapia cognitiva comportamental com crianças e adolescentes e trabalha em Juiz de Fora (MG), é comum os pais sentirem esse tipo de discriminação. Apesar dos resultados da pesquisa, a situação é ainda mais comum, segundo ela, em famílias de origem humilde.

“Nesses casos, muitos pais e mães querem dar de tudo para os filhos, para que as crianças tenham o que eles não tiveram na infância. Eles acabam transferindo para as crianças a responsabilidade de suprir as necessidades e vontades que eles mesmos tiveram”, afirma.

Segundo Ana Claudia, as crianças podem não perceber a discriminação. Entretanto, é natural que elas tenham desejos e vontades depois que veem determinados produtos nas mãos de colegas ou em comerciais, por exemplo. Ainda assim, os pais devem redobrar a atenção com seus próprios comportamentos.

“Pais e mães devem procurar dar aquilo que a criança precisa, sem ir muito além dos desejos e necessidades mais importantes. É preciso ter conversas francas com as crianças caso algumas das vontades estejam além do orçamento. É importante explicar questões relativas ao orçamento, mostrar como lidar com dinheiro, separando as necessidades das vontades”, alerta.

“Os pais devem saber que, para os filhos, mais importante que presentes e produtos caros, é fundamental o bom relacionamento, a presença dos pais. Brincar no dia a dia, nem que seja por alguns minutos, mesmo que pai e mãe estejam cansados. Não é uma boa ideia tentar suprir essas necessidades da criança com brinquedos. O que ela precisa é ter carinho e se sentir acolhida”, conclui.