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11/12/2014

Educação financeira para as crianças

Lidar com dinheiro é algo que pode ser aprendido desde cedo, dizem os especialistas.

Conhecer o real valor do dinheiro desde cedo é importante para que as crianças cheguem à idade adulta com entendimento da própria realidade financeira. A mesada pode ser uma boa ideia, assim como envolver as crianças nas discussões sobre o orçamento familiar. Outras estratégias, porém, podem não render o efeito esperado.
 
Uma delas é usar o dinheiro como prêmio ou recompensa por tarefas realizadas pelas crianças no dia a dia. Por exemplo, pagar determinado valor para que elas arrumem a cama ou realizem as tarefas da escola, ou então descontar uma parte da mesada por conta de mau comportamento ou notas baixas na escola.
 
Especialistas avaliam que o dinheiro deve fazer parte do dia a dia das crianças, de acordo com a situação financeira da família, mas não deve ser usado como premiação, especialmente nos casos de tarefas que são obrigações diárias. “A criança precisa ter boa educação, independente de qualquer recompensa. Por isso, premiá-las pela realização de tarefas rotineiras não é o caminho ideal”, avalia o consultor financeiro Stanlei Bellan.
 
Segundo o consultor, a criança aprende educação financeira nas pequenas ações do dia a dia. Por isso, os pais devem ter a preocupação de ensinar aos filhos a forma correta de lidar com o dinheiro. Isso inclui, além da questão da premiação, o entendimento sobre poupar e gastar de forma consciente. “Nunca é cedo demais para ensinar sobre questões financeiras. Os pais devem dar o exemplo em casa, assim tudo vai ser mais fácil. Vale lembrar que a mesada não é o dinheiro para pagar as necessidades das crianças. E os pais devem pagar sempre de forma pontual, para que os filhos entendam a responsabilidade de honrar os compromissos”, afirma.
 
Crianças com idades entre três e seis anos podem aprender muito sobre o dinheiro. O simples fato de colocar uma moeda em um cofrinho, segundo Stanlei, já ajuda a compreender o conceito de poupança. A partir dos sete anos elas começam a entender melhor os valores, pois já aprenderam a somar e diminuir, e aos poucos aprendem a calcular troco, por exemplo. No início da adolescência a noção já deve estar bem estabelecida. Por isso, os pais não devem complementar a mesada, caso o dinheiro falte. É preciso conversa para entender bem a situação.
 
“A primeira dúvida em relação a esse tema é a idade com que a criança deve começar a ter o contato com o dinheiro. Isso depende muito e varia de caso a caso, mas a partir dos três anos, quando ela já demonstra suas próprias vontades, é hora de começar a inserir a educação financeira, e não a mesada”, complementa o educador financeiro Reinaldo Domingos. “Se os pais tiverem mais de um filho, a decisão do valor da mesada, quando for o caso, e a conversa sobre o tema devem ser feitos individualmente, adequando à realidade de cada um. As crianças podem ser parecidas, mas nunca são iguais quando o assunto é dinheiro”, conclui.