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Matérias

13/01/2015

Homens e mulheres veem aposentadoria de forma diferente

Eles são mais preocupados com a aceitação, elas se entregam mais ao novo momento. De toda forma, preparar-se é fundamental.

A expressão guerra dos sexos é tão forte no Brasil que já virou nome de novela na década de 1980 e teve uma nova versão recente. Foi também título de filme, de música e de livro e dá nome a produtos como esmaltes e brincos. Na hora da aposentadoria, segundo especialistas, também há claras distinções entre homens e mulheres. Não dá para chamar de guerra, claro, mas eles e elas mostram que veem essa etapa da vida de forma bem diferente, o que é natural.

Segundo a escritora Esther Guimarães, os homens podem avaliar a aposentadoria de forma pouco positiva, pois ainda há muito preconceito em nossa sociedade em relação àqueles que não estão exercendo atividades no mercado de trabalho. Para as mulheres, segundo Esther, o momento da aposentadoria é o começo de um novo ciclo, que proporcionará o acesso a descobertas esperadas por toda a vida.

“Para o homem aposentado, o que passa a interessar são as mudanças que vão acontecer a partir da aposentadoria e de que forma as pessoas com quem ele convive começarão a enxergá-lo na condição de profissional aposentado. Isso pode levar a suposições de que ele não será mais interessante para as pessoas que faziam parte do seu convívio no ambiente em que construiu a carreira, o que pode causar insatisfação”, afirma Esther.

Para a escritora, os homens que se sentem dessa forma devem estar prontos para superar todo tipo de preconceito, para então viver a aposentadoria da melhor forma. Isso, segundo a especialista, já acontece de forma natural com a maioria das mulheres, que via de regra chegam a essa etapa da vida profissional com ideias e sonhos já programados.

“Elas sabem que agora vão ter a oportunidade de reinvenção. As mulheres normalmente entendem que conquistaram um espaço no mercado de trabalho, cumpriram seus papeis e que agora não precisam provar mais nada a ninguém, podendo fazer suas escolhas baseadas em seus desejos sem ter que se preocupar tanto se vai ou não dar certo”, aponta.

O psicoterapeuta Rudimar Stelmach acredita que as mulheres, no momento da aposentadoria, acabam refletindo seu jeito de ser durante toda a vida. Por conta do chamado espírito maternal e até por questões históricas e biológicas, elas desempenham mais atividades ao mesmo tempo, e isso acontece também na aposentadoria.

“Isso acontece até mesmo pela questão cultural, já que nos últimos anos está havendo uma mudança significativa em relação à valorização e o reconhecimento do trabalho das mulheres. Há algumas décadas não se dava o devido valor do trabalho que elas realizavam em casa, e com isso elas foram acumulando tarefas. Hoje, as coisas mudaram um pouco e os homens estão assumindo mais atividades do lar, por exemplo”, avalia.

Stelmach afirma que há diferenças, sim, mas também muitas semelhanças entre homens e mulheres na hora da aposentadoria. A principal delas é a busca por atividades a serem desempenhadas nesse período da vida. Elas, assim como eles, buscam fazer da aposentadoria um momento de realização.

“Algumas pessoas preferem ou precisam trabalhar mais, outras buscam realizar atividades culturais ou voluntárias. Alguns viajam mais, aproveitando os benefícios que a vida profissional ativa e o planejamento proporcionaram. As pessoas tendem a fugir da acomodação e, quando possível, procuram ocupações nas áreas que mais gostam. Com isso, rendem mais e se realizam muito mais”, complementa.