Plano 1

Matérias

23/11/2015

Inadimplência diminui entre os jovens, mas cresce entre os idosos

Levantamento realizado pelo SPC mostra perfil dos consumidores do país

As mudanças no perfil social da população brasileira estão se refletindo nos indicadores econômicos. É essa a conclusão do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), que mostrou que a inadimplência diminuiu entre os jovens, mas subiu entre os idosos, num comparativo entre novembro de 2014 com o mesmo mês do ano anterior.


Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o aumento na expectativa de vida no Brasil e a permanência no mercado de trabalho (e de consumo) por mais tempo ajudam a entender o aumento da participação da população idosa nos cadastros de pessoas inadimplentes. O hábito de realizar o empréstimo do nome para outras pessoas, principalmente familiares, fazerem compras a prazo também contribui – e esse comportamento deve ser evitado.

Os dados do SPC Brasil apontam para 6,3 milhões de jovens (entre os 18 e os 24 anos) com restrições de crédito por conta de atrasos financeiros. O percentual, no total da faixa etária, é de 26%. Proporcionalmente, o número de idosos (65 a 84 anos) endividados é semelhante: 27%. Em números absolutos, são cerca de 3,8 milhões de pessoas nessa faixa etária com ao menos uma conta em atraso.

Perfis distintos

O levantamento revelou ainda que as dívidas que fazem parte do dia a dia dos mais jovens e dos mais velhos são bem diferentes. Enquanto os idosos têm maior participação nos atrasos de pagamentos às empresas de serviços de água e eletricidade, os mais jovens representam a maior parte das dívidas em atraso no comércio.

“Os jovens estão conseguindo se dedicar a mais anos de estudo em vez de entrar precocemente no mercado de trabalho. Assim, continuam morando na casa dos pais e por isso têm gastos mais baixos com supermercado, condomínio e serviços básicos, como água e luz”, explica Marcela Kawauti.

Evitar a inadimplência

Segundo os cálculos do Serasa, outra ferramenta de análise de crédito, a taxa de inadimplência dos idosos é mais baixa que as das outras faixas etárias, mas ainda é elevada. A instituição explica que as pessoas mais velhas têm gastos crescentes com saúde, e a maior qualidade de vida na terceira idade também impulsiona o consumo. Além disso, muitas vezes essas pessoas têm gastos adicionais ao ajudar pessoas da família.

“Isso acontece, sim. Muitas vezes os idosos não são nem mesmo enganados, mas agem na boa intenção de tentar ajudar. Mas os juros mais altos podem complicar a rotina financeira dessas pessoas”, explica o superintendente do Serasa Consumidor, Julio Leandro.