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27/07/2015

Para controlar os gastos, consultor cria o "vale-impulso"

Conceito pretende ajudar a evitar que compras não planejadas prejudiquem o orçamento.

Cerca de metade dos brasileiros reconhece ter feito ao menos uma compra por impulso recentemente, segundo levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC-Brasil). Isso mostra que esse comportamento, embora seja contrário às orientações dos consultores financeiros, ainda é muito comum. Para tentar diminuir o impacto dessas compras no orçamento, o consultor financeiro Stanlei Bellan, do MoneyGuru, criou o conceito do "vale-impulso". Em linhas gerais, a ideia é reservar um valor fixo mensal, adequado ao orçamento, destinado a essas compras por impulso.

"Não adianta querer colocar barreiras na essência humana de consumidor impulsivo. A melhor maneira de lidarmos com isso é assumirmos que somos assim, mas colocarmos limites nessa nossa natureza. E é por isso que recomendo o 'vale-impulso'. Uma compra por impulso é algo que você não estava planejando comprar. É algo que você viu e não resistiu. Não entra nas categorias normais do orçamento familiar", afirma o consultor.

Segundo o conceito, cada pessoa tem direito a uma compra não planejada por mês. Para isso, cada um deve definir um limite de gastos para esse imprevisto - que pode ser representado por um jantar, um aparelho eletrônico, uma atividade de lazer. Para Bellan, esse gasto vai ajudar a controlar o consumo exagerado em outras ocasiões.

O consultor criou regras bastante rígidas para garantir que o “vale-impulso” funcione de forma positiva para todos os perfis de consumidor. A primeira delas afirma que esse valor é pessoal e intransferível. Cada membro da família tem direito a sua própria cota no vale, mas não pode usar a de outra pessoa.

O valor não é cumulativo, ou seja: quem não gastou em um mês, não poderá usá-lo em dobro no mês seguinte. Além disso, ele é indivisível, ou seja: se seu "vale-impulso" é de R$ 200, mas você comprou um produto de R$ 120, a diferença de R$ 80 não poderá ser utilizada, e esse valor será poupado.

"Com essas regras o consumidor vai aprender a fazer escolhas e conter as tentações. E esse é o caminho da educação financeira: aprender a lidar com nossos desejos consumistas", garante Bellan. "No primeiro mês, você vai ceder ao primeiro impulso e gastar o dinheiro. E a partir daí não vai poder fazer outra compra não planejada. Se aguentar até o mês seguinte, vai começar a controlar a sua natureza de consumo", complementa.

Os riscos de comprar por impulso

O consultor André Lado Cruz, dos Professores do Sucesso, lembra que todas as compras por impulso têm impacto no orçamento. O hábito de fazer essas compras dá indícios de que o consumidor tem dificuldades para gerenciar os gastos, o que pode trazer problemas futuros. Por isso, é preciso controle.

"Muitos fatores levam as pessoas a comprar por impulso, a maioria deles relacionados à satisfação e recompensa imediata. Vivemos em um tempo de muito trabalho e poucas realizações, e precisamos de recompensas. Muitas pessoas fazem isso nas compras. Isso afeta todas as classes sociais, gêneros e idades. Assim como algumas pessoas descontam suas frustrações na comida, outras preferem comprar. Vivemos em uma sociedade de consumo, e somos induzidos a comprar a todo momento. É preciso atenção para não cair nas armadilhas", destaca o consultor.