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28/03/2016

Publicidade pode trazer problemas à vida financeira

Consumidores devem ficar atentos para não cair em armadilhas.

Por melhor que seja nossa organização para uma vida financeira equilibrada, ainda teremos de lidar com situações em que nossa consciência é testada. Especialmente quando falamos da publicidade. O mercado age de forma a criar necessidades e desejos na mente das pessoas, e, se não for feita uma preparação adequada, corremos o risco de gastar além do que devíamos.


O consultor financeiro Rogério Nakata, do site Economia Comportamental, afirma que o princípio da publicidade não é errado. Muito pelo contrário: ele é fundamental para estimular o mercado e fazer com que a economia funcione. Entretanto, o consultor destaca que os próprios consumidores, individualmente, devem elencar suas prioridades para que os projetos de vida não sejam prejudicados.

“A essência da publicidade é criar nas pessoas o desejo de comprar, mesmo que elas não precisem do produto. Às vezes, a ideia é só impressionar outras pessoas. É preciso cuidado para que não sejam tomadas decisões equivocadas que podem prejudicar a vida financeira até mesmo por diversos anos”, pondera.

Nakata dá algumas dicas para fugir dessas armadilhas. Segundo ele, é preciso colocar os gastos na ponta do lápis. A simples contabilidade mental não é suficiente para avaliar se aquela compra é ou não adequada à realidade financeira da família. Outra boa sugestão é não se deixar seduzir por liquidações, pois é em situações como essa que a maioria das pessoas compra coisas que não precisava naquele momento.

“É preciso saber o que quer, onde se quer chegar. Existe um velho ditado que diz: para quem não sabe onde quer ir, qualquer caminho serve. Se não tiver a devida atenção ao caminho e se não tiver objetivos financeiros claros, a pessoa pode se ver em um ponto onde não gostaria de estar”, alerta.


Publicidade infantil

Se para os adultos a publicidade já representa uma ameaça, para as crianças o problema é ainda maior. E é por isso que entidades como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) trabalham para que a publicidade voltada para crianças seja retirada dos meios de comunicação. Como os mais jovens ainda estão em fase de desenvolvimento intelectual, elas não têm o discernimento necessário para lidar com as tais armadilhas.

Para o Idec, toda publicidade que tem o público infantil como alvo desrespeita o princípio da identificação, ou seja, ela deve ser claramente identificada como publicidade pela pessoa a quem se destina.

“As crianças são muito sensíveis às práticas de marketing e o problema fica maior quando a publicidade estimula padrões de consumo não saudáveis. Elas não têm condições de analisar criticamente os interesses que existem por trás de cada mensagem publicitária”, destaca a advogada Mariana Ferraz, do Idec.