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29/10/2015

Quando as crianças devem começar a lidar com dinheiro?

Conversas sobre assunto e modelo dos pais fazem parte da educação financeira na infância.

No mês em que se comemora o Dia das Crianças e durante as festas de final de ano, é muito comum que os pequenos ganhem dinheiro dos pais e familiares. Essas situações levantam uma pergunta importante: a partir de que idade as crianças devem começar a lidar com dinheiro?

Para Silvia Alambert, fundadora do programa de educação financeira The Money Camp no Brasil e educadora financeira de crianças e jovens, cada família tem uma dinâmica sobre conversas dos mais variados temas e, por isso, cada pai sabe, melhor do que ninguém, o momento em que seu filho já está apto a assumir um diálogo sobre administração de dinheiro.

“No entanto, sabemos que, cada vez mais cedo, as crianças começam a pedir por coisas e é nesse momento que os pais devem começar a demonstrar que nem tudo o que está ao alcance das mãos está também ao alcance do bolso. De qualquer forma, é preciso que as elas tenham pelo menos uma noção básica de matemática; soma e subtração já são suficientes para que comecem a entender a linguagem do dinheiro e isso acontece por volta dos seis a sete anos”, afirma Silvia.

Como introduzir o assunto “dinheiro” às crianças?
Alessandra Bonafé, autora do livro “Ter ou Não Ter”, acredita que desde pequeno é possível começar a ter noções de economia, criando situações dentro da rotina da criança. Para ela, a melhor forma de a criança aprender tudo na vida, não apenas a parte econômica, é ter exemplos dentro de casa, pois ela tende a se espelhar no comportamento dos pais. “Levar uma criança de quatro anos ao mercado, comentar os preços dos produtos e comparar valores é um ótimo exemplo”, explica.

Silvia complementa: “Quanto mais naturalmente as conversas sobre dinheiro forem abordadas, mais espontaneamente as crianças assimilarão os conceitos apresentados. Elas são impacientes e não suportam longas conversas sobre o mesmo assunto”. 

Silvia menciona ainda que introduzir jogos e brincadeiras que levem a conceitos de formação de poupança, planejamento e investimentos também é uma excelente oportunidade de os pais dedicarem um momento à educação financeira de seus filhos. “A grande dica é: aproveite os momentos que se fizerem oportunos para ensinar sobre dinheiro, permitindo que tenham contato com as diferentes formas de pagamento (dinheiro, cartão de débito e crédito), para que comecem a ter percepção sobre o dinheiro e a forma como ele circula”, sugere.

Na opinião de Alessandra, a educação financeira vai além de lições sobre como lidar com o dinheiro, pois também envolve noções de comportamento sustentável e disciplina. “Como exemplo de comportamento, deve-se criar o hábito de dar valor para as coisas, como não deixar a luz acesa e não desperdiçar água. Já com relação à disciplina, podem ser utilizadas atitudes como limitar consumo de refrigerante e doce, guardar os brinquedos após brincar, ter limite de tempo de televisão ou jogos eletrônicos. De princípio, pode parecer que não têm influência, mas a disciplina e o comportamento sustentável da pessoa refletem diretamente na forma como ela lida com dinheiro”, argumenta.

A poupança e a mesada também são boas opções para ensinar a lidar com o dinheiro. “A mesada é uma excelente ferramenta pedagógica na educação financeira das crianças. O valor não deve ser tão alto a ponto da criança não se planejar para conquistar sonhos e nem tão baixo a ponto de se sentir excluída do grupo social a que pertence”, recomenda Silvia. Com relação à poupança, Alessandra sugere que seja feito um cofrinho individual para criança ou mesmo um cofrinho da família, no qual, quando completar um determinado valor, fazem um programa todos juntos, como ir a um parque de diversões, por exemplo.