Plano 1

Matérias

22/01/2015

Sem medo de envelhecer

Hábitos de vida moderados, acesso ao conhecimento, participação social e atualização contínua aos meios tecnológicos são dicas de especialistas para um envelhecimento saudável.

 

A população brasileira vem passando por um processo cada vez mais intenso de crescimento da qualidade de vida e envelhecimento saudável. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2030 já seremos um país de idosos, ou seja, o número de pessoas acima dos 60 anos vai ultrapassar o total de crianças com até 14 anos. Em 2055, os idosos vão ser mais numerosos também que o grupo de pessoas com até 29 anos. Isso quer dizer que o envelhecimento será algo comum e que boa parte da aposentadoria será vivida na chamada terceira idade. Para aproveitar esse momento da melhor forma, é preciso encarar o envelhecimento como algo natural.

A diretora de Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Nezilour Lobato Rodrigues, afirma que algumas visões sobre o envelhecimento acabam reforçando estigmas. Segundo a médica, que tem mais de 20 anos de experiência atendendo idosos, a principal preocupação não é o medo de envelhecer, mas de se tornar dependente. Isso, porém, pode ser evitado.

“Todas as pessoas, e não só as idosas, deveriam se preocupar com o envelhecimento ativo, buscando a preservação das funções do corpo com o passar dos anos. O processo de envelhecimento saudável demanda hábitos de vida moderados, além de acesso ao conhecimento, participação social e atualização contínua aos meios tecnológicos”, pontua.

Segundo Nezilour, o sentimento de incapacitação e o desconforto podem prejudicar o processo de envelhecimento, pois causam ansiedade e aumentam a chance de desenvolvimento de doenças como a depressão. Por isso, é essencial deixar de lado o sedentarismo, que facilita o aparecimento de problemas físicos e também psicológicos.

“É imprescindível que o idoso tenha projetos de vida e seja engajado socialmente. A realização de planos e sonhos independe da fase da vida. Atividades físicas regulares, o sono, a boa alimentação e o controle de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, também auxiliam na vivência do envelhecimento saudável”, complementa.

A geriatra destaca, ainda, que os idosos podem e devem aproveitar essa etapa da vida para atividades que os realizem e os completem, especialmente aqueles que se desgastaram psicologicamente no mercado de trabalho formal. E isso pode ser obtido através de atividades de voluntariado.

“O sentimento de fazer algo que se gosta e de contribuir para a melhoria da sociedade auxilia na superação ou enfrentamento de doenças, ou até mesmo pode evitar patologias, como a depressão”, garante.

E, para que o processo de envelhecimento transcorra da melhor forma, as pessoas mais jovens devem se envolver diretamente e ajudar os idosos de seu círculo social e familiar.

“A família e os amigos devem dar apoio social ao idoso. Uma pesquisa recente revelou que pessoas idosas que estão socialmente isoladas e solitárias podem apresentar maior risco de morte prematura. O contato social é um aspecto fundamental da existência humana. A evidência científica é que ser socialmente isolado provavelmente é ruim para sua saúde, e pode levar ao desenvolvimento de doenças graves e uma esperança de vida reduzida”, complementa.


Comer bem também é fundamental

Outra dica essencial para que a chegada à terceira idade seja positiva é comer bem em todas as etapas da vida. Especialistas garantem que a boa nutrição é fundamental para evitar doenças comuns na terceira idade, como os problemas cardíacos, diabetes, problemas ósseos e até diferentes tipos de câncer.

“A dieta e o estilo de vida escolhidos pela pessoa definirão se ela terá um envelhecimento saudável ou não. Nunca é tarde para se tomar as medidas necessárias para eleger um bom plano nutricional e uma boa prevenção do envelhecimento precoce”, alerta a nutróloga e reumatóloga Sylvana Braga.