A produção animou a esposa, Neneca Barbosa, que também começou a escrever poemas, sonetos e outras formas de expressão literária. O marido ajuda na revisão dos textos e planeja lançar uma antologia de textos da esposa no final do ano. Petronilo e Neneca publicam seus textos no portal literário Recanto das Letras
Como o senhor começou a se interessar por literatura de cordel?
Desde criança que sou admirador do cordel. Meu pai gostava de ler os folhetos, minha mãe cantava diversos versos de poetas repentistas, decorados de pelejas entre violeiros, e um tio era vendedor de livretos de cordel. Eu aproveitava as horas de folga e ia para a casa da minha avó ler os folhetos. No sábado, dia da feira livre, eu ia para o mercado ouvir os vendedores de cordel. Eles fincavam dois paus, no chão, amarravam um barbante de um para outro e dependuravam os livretos. Colocavam um lenço no pescoço, para enxugar o suor, e pegavam os livretos mais famosos e começavam a ler para a plateia. À tarde a maleta estava vazia e o bolso recheado. Também gostava de assistir cantorias dos violeiros e o programa, na rádio Alto Piranhas de Cajazeiras, Violas e Violeiros. Portanto, o gosto vem da infância.
E quando o senhor começou a escrever os seus próprios cordéis?
Depois de aposentado. Certo dia fui visitar um de meus filhos, que mora em Recife (PE). Fomos a uma livraria e encontrei um livro de um cordelista pernambucano, J. Borges, contando sua história, desde que abandonou o corte da cana para vender cordel e depois começou a fazer os próprios. Hoje ele compõe, faz a xilogravura, em placas de madeira, e imprime. Depois de ler o livro ensaiei alguns versos e comecei a entrar em contato com outros aprendizes e iniciei a escrever.
Como o senhor divulga seus cordéis? Além do blog, como encontrou seus amigos que também são cordelistas?
Comecei divulgando em comunidades no orkut, onde encontrei alguns cordelistas, depois coloquei num blog, no Recanto das Letras. Nessas comunidades trocamos ideias, experiências e fizemos algumas pelejas.Alguns contos estão no blog www.mandacarudosertao.blogspot.com/