Os motivos para comprar são variados: necessidade, lazer, moda, status e apelo comercial. E, para seguir comprando, muitos brasileiros se endividam e não sabem como sair da bola de neve. O problema não acontece apenas nas classes sociais mais baixas, podendo ser comum também entre a classe A.
Pesquisa aponta aumento do endividamento
Segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em março de 2011 o percentual de famílias endividadas recuou em relação ao mês anterior, mas se manteve em patamar superior ao observado em março de 2010.
A pesquisa ainda mostra que o percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas subiu após quatro meses de queda sem, entretanto, superar o nível de março do ano passado.
Conforme a pesquisa da CNC, para 71,6% das famílias endividadas, o cartão de crédito foi apontado como um de seus principais tipos de dívida, seguido por carnês, para 21,9% e, em terceiro, o financiamento de carro, 10,6%. Para as famílias com renda de até dez salários mínimos, o cartão de crédito, por 71,9%, o carnê, por 22,9%, e o crédito pessoal, por 10,1%, são os principais tipos de dívida apontados. Os números mudam para as famílias de renda superior a dez salários mínimos, os principais tipos de dívidas apontados em março foram: cartão de crédito, para 68,6% das famílias, financiamento de carro, para 22,5%, e carnês, para 14,4%
Cuidados
"A mobilidade do brasileiro com poder aquisitivo alto é maior, muitos são empreendedores e passam por momentos de oscilação nos negócios. Fora isso, há uma necessidade de se manter o padrão a qualquer custo. Há ainda os imprevistos, como perda de emprego ou diminuição de bônus que pesam no orçamento", analisa Marcelo D´Agosto, economista e autor do blog "O Consultor Financeiro", do jornal Valor Econômico.
O especialista comenta que as pessoas da classe A, quando passam por situações adversas, costumam acreditar que rapidamente vão ajustar as contas e usam financiamentos para suprir defasagem, o que é, para D´Agosto, um perigo, pois as taxas são altas e facilmente se perde o controle.
"Recentemente foram divulgados dados que mostram que os brasileiros comprometiam, em 2005, 15% do seu salário pagando dívida. Agora, em 2012, essa percentagem pulou para 22%. É algo crescente em todas as classes. Hoje, abre-se uma conta bancária e se ganha cheque especial e cartão de crédito. Na classe alta essas facilidades são ainda maiores e pode virar uma cilada", afirma.
Para Jorge Martins, coordenador do grupo Devedores Anônimos, as pessoas que possuem melhor renda estão caindo com mais facilidade nas armadilhas do consumismo e do endividamento compulsivo.
"Pessoas e profissionais com carreiras bem sucedidas e salários altos se endividam por descontrole financeiro, como em outras classes. O que é consumido e o tamanho da dívida é que vai variar. Geralmente, quando a pessoa procura o grupo já está no fundo do poço e sem reservas para imprevistos", afirma Martins.
Ele afirma que tornar o padrão de vida mais simples é um problema sério para quem enfrenta esse tipo de situação, podendo provocar doenças crônicas, como depressão.
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