A preocupação com as finanças ganha espaço na cultura nacional, mas o conceito de educação financeira sustentável ainda parece engatinhar. Os especialistas apontam que se pense além da segurança financeira, ou seja, que haja preocupação com a qualidade de vida.
O precursor desse pensamento é o especialista Aron Belinky, que afirma que o objetivo desse conceito é proporcionar qualidade de vida garantindo que os indivíduos tenham, tanto no presente como no futuro, segurança material e condições para uma vida feliz.
Ter dinheiro não significa ser feliz
Para Belinky, o interessante é provocar a reflexão de que não necessariamente acumular cada vez mais dinheiro ou riqueza é garantia de viver melhor. Naturalmente, a afirmação não pode ser generalizada, pois cada cidadão almeja algo e há quem enxergue no dinheiro fonte de felicidade. Nesse sentido, para o especialista é fundamental que a pessoa consiga definir o que é qualidade de vida e o que não é.
Educação financeira e qualidade de vida
A ligação das finanças com a qualidade de vida pode não ser clara para algumas pessoas, mas para viver bem hoje e no futuro com sossego é preciso planejar. O especialista enumera três princípios básicos para ser educado financeiramente e de uma forma sustentável:
1) Pensar racionalmente o que uma compra representará de ganho e satisfação para si;
2) Respeitar o tempo trabalhado para ganhar determinada quantia, avaliando a necessidade de gastar;
3) Evitar o desperdício e o acúmulo desnecessário.
O especialista reforça a importância do planejamento para ter o suficiente sem consumir com exagero e desperdício. Ele sugere, então, a seguinte pergunta: "O meu gasto vai produzir o que de bom?" Para ele, se o gasto for apenas um capricho ou ansiedade emocional deve ser repensado. Uma alternativa é pesquisar, considerar se realmente o produto mais caro é o melhor para a necessidade do indivíduo. Além disso, é preciso pensar que até o produto final chegar às mãos do consumidor há uma cadeia produtiva que, algumas vezes, compromete o meio ambiente.
Dívida não faz bem à saúde
Inës Cozzo Olivares, psicóloga especialista em neuroaprendizagem, comenta que é um fato comprovado que as dívidas acarretam graves problemas na vida das pessoas e até mesmo na produção (na linha de fábrica ou na administração), pois os indivíduos têm o dobro de dificuldade para se concentrar no trabalho devido ao aspecto emocional e psicológico.
"Quem deve perde o sono, tem vergonha, sentimento de impotência, incapacidade, desesperança, tristeza e muitas incertezas quanto à própria capacidade de quitar dívidas. O pior é que, nessas condições, as pessoas travam e reduzem sua perspectiva de vir a ter uma vida melhor. Junte-se a isso o fato de que as compras feitas por impulso, imediatismo, descontrole emocional, facilidades oferecidas e crenças geradas pela mídia, ou seja, o consumo não responsável, geram uma dezena de problemas para o meio ambiente", afirma Inês.