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Saúde Financeira: juros compostos

Em toda transação comercial/bancária, onde uma das partes efetua um empréstimo, há cobrança de uma taxa em relação ao capital emprestado por um determinado período. Essa taxa é o juro. Pode-se dizer que o juro funciona como uma espécie de aluguel pelo dinheiro emprestado. A taxa, então, funciona como uma compensação para quem emprestou a quantia.  Ela considera o risco agregado do investimento, a compensação pela não aplicação do dinheiro em outro investimento, os custos administrativos, entre outros pontos.

Juros compostos

Ronaldo Gotlib, advogado e consultor de renegociação de dívidas e controle financeiro, explica que os juros compostos são cobrados sobre o juro, ou seja, quando são pagos não apenas em relação ao valor da quantia principal, mas também sobre os juros obtidos em relação à quantia principal nos demais períodos.

"Por exemplo, se eu tomo uma dívida de R$ 10.000,00 com uma taxa de 10%, em um mês, devo R$ 11.000,00. No próximo mês, o cálculo do juro será em cima desse valor de R$ 11.000,00, ou seja, quantia principal adicionados os juros do período anterior, e assim vai. A composição é pesada e eleva imensamente a dívida", explica Gotlib.

Leonardo Gazini Facchini, autor do site Juro Composto, afirma que os juros compostos são os mais praticados no mercado brasileiro. Segundo o especialista, em qualquer financiamento utiliza-se dessa modalidade, por isso, ele considera que, no final do período paga-se por dois produtos, porém, é levado apenas um.

Prestações de longo prazo

Gotlib chama atenção para o perigo quando se realiza financiamento de longo prazo, pois quanto mais elástico for o período da quantia emprestada, maior será o valor a ser pago por esse empréstimo. O advogado dá uma dica ao cidadão.

"Costumo recomendar o uso da calculadora do cidadão do Banco Central. Basta entrar no site do Banco Central e buscar pela calculadora no perfil do cidadão. A instituição tem credibilidade e oferece essa facilidade. Lá é possível fazer diversas simulações e, assim, compreender de fato quanto está se pagando", orienta.

Facchini vai ao encontro da afirmação de Gotlib. "A maior armadilha, na minha opinião, são os prazos cada vez maiores, assim as parcelas tendem a ficar pequenas, o que dá ilusão ao consumidor de estar pagando ‘barato’. Porém, se somadas as parcelas, percebe-se que está pagando até três vezes o valor do produto à vista. Para escapar disso, apenas com um bom planejamento financeiro. Se for necessário, vale um bate-papo com um especialista. Pode ser o primeiro passo", explica Facchini.

Cuidados ao assumir dívidas

Facchini alerta que é preciso estar atento às cobranças do cartão de crédito e do cheque especial. Ele explica que ambos utilizam-se dos juros compostos, por isso a dívida cresce muito. "Por exemplo: uma dívida de R$ 100,00 no cartão de crédito que tem os juros em média de 10% ao mês, se esperarmos dois anos para saldar a dívida, ela estará valendo em torno de R$ 984,97, ou seja, nove vezes o valor inicial devido. Por isso, muito cuidado em usar o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial", alerta.

Gotlib diz que o brasileiro não sabe negociar dívida. Para ele, o cidadão se prende apenas ao valor da prestação. "Se a prestação cabe no orçamento, está ótimo. Caso não consiga pagar, ele renegocia a dívida esticando o prazo. Além do perigo de adquirir outras parcelas de novas compras, o cidadão se esquece da composição dos juros e a situação financeira muitas vezes vira uma bola de neve, gerando problemas gravíssimos para o orçamento", finaliza.

 


 



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