PREVI Futuro

Matérias

21/05/2015

Família tem papel essencial na aposentadoria

Pessoas próximas devem mostrar apoio ao profissional

A aposentadoria é um processo que não deve ser vivido apenas pelo profissional. A família também deve estar envolvida. Como é um momento de grandes mudanças, o apoio das pessoas mais próximas é fundamental para garantir que tudo transcorra da melhor forma e essa nova etapa comece com o pé direito.

A psicóloga clínica Maria Aparecida das Neves lembra que a forma de encarar a própria aposentadoria varia de pessoa para pessoa, mas uma coisa não muda: a proximidade dessa etapa deve ser planejada de forma cuidadosa pelo profissional. Os familiares devem ser avisados de cada passo e convidados a participar para ajudar no que for preciso.

Segundo Maria Aparecida, a preparação de uma família para a mudança de rotina quando o profissional se aposenta e deixa de trabalhar, por exemplo, pode ser comparada até mesmo àquela que acontece quando a família planeja a chegada de um novo integrante. É preciso agir de forma cautelosa e compreensiva para tudo correr bem.

“Tudo deve ser discutido, já que muitas coisas vão mudar, como a realidade financeira e o cotidiano daquela casa. Essas questões devem ser abordadas. A família é parte essencial no processo da aposentadoria, eu diria que ela tem 80% da responsabilidade para que tudo aconteça bem, colaborando para que essa nova estrutura funcione da melhor forma”, aponta.

Maria Aparecida reforça que, caso a pessoa resolva deixar de trabalhar, ela deve buscar ocupar seu dia a dia com novas atividades. E, se na vida profissional ativa nem sempre é possível conciliar trabalho e prazer, a aposentadoria deve ser o momento para buscar ocupar o tempo com algo que garanta bem-estar.

“E nessa hora é importante o apoio da família, que deve ajudar o profissional, sugerindo atividades e até mesmo participando delas, se for o caso. Cursos, esportes, trabalhos voluntários... O leque de possibilidades é infinito. Para que a pessoa escolha o melhor a fazer, todas as informações são bem-vindas”, avalia a psicóloga.

Atenção e compreensão

Segundo Maria Aparecida, a família deve estar atenta, e se perceber que o profissional aposentado está mais recluso que o habitual, deve ajudá-lo a buscar novo ânimo. É essencial que a pessoa não se sinta sem função, já que isso representa um grande tabu em nossa sociedade.

“De modo geral, percebo que as famílias são participativas e querem retribuir por tudo o que aquela pessoa fez durante os anos que se dedicou ao trabalho. E essa retribuição não diz respeito a pagamentos em dinheiro, mas sim em apoio, compreensão e carinho”, completa.

A também psicóloga Sonia Sebenelo acredita que a questão da valorização é fundamental nesse momento. Depois de tudo o que passou na vida profissional até a chegada à aposentadoria, a pessoa espera reconhecimento.

“A postura da família deve ser de valorizar esse profissional. O fato de não estar em ação na rotina anterior de trabalho não deve ser entendido pelo próprio profissional como um fator de menosprezo. Todo esse contato deve ser feito pela família com muita maturidade, que é algo que as pessoas nem sempre conseguem fazer, por conta das pressões cotidianas”, pondera.

“As pessoas devem estar preparadas para muitas mudanças, geralmente impactantes e muito fortes. Infelizmente, nem sempre isso ocorre. Por isso, a família deve oferecer muito apoio durante todo o tempo, para que o profissional perceba a aposentadoria como deve ser: um momento positivo da carreira profissional”, conclui.