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15/05/2016

Orçamento da família deve ser discutido por todos

Despesas e responsabilidades devem ser divididas de forma que todos se sintam confortáveis

Há muitos anos, a figura masculina era considerada como a provedora da casa e, muitas vezes, tomava decisões relacionadas ao dinheiro da família sozinha. Com a inserção da mulher no mercado de trabalho, esse cenário começou a mudar e o planejamento das questões relacionadas ao orçamento da casa passaram a ser discutidas a dois ou até mesmo envolvendo toda a família.

De acordo com José Alberto Netto Filho, professor do Instituto Educacional BM&FBOVESPA, a família gasta o dinheiro de forma coletiva e, por isso, as decisões devem ser tomadas em conjunto. “Todos sabem por onde o dinheiro entra, mas muitas vezes não conseguem identificar por onde ele sai. Quando há rendas diferentes, mas despesas conjuntas, o ideal é agir em esfera familiar. Conheço vários casos de mulheres que ficaram viúvas e tiveram surpresas relacionadas a questões financeiras, por não saberem o que se passava. A partir do momento em que se está vivendo junto, é bom que o casal sempre compartilhe todas as informações e que nenhum dos dois tome decisões sozinho”, pontua Filho.

Para o consultor financeiro Eduardo Amuri, não existe uma fórmula fechada para conversar sobre dinheiro em família. “Cada casal tem a sua peculiaridade. O ideal é que eles encontrem uma forma que fique confortável para todos. No entanto, observo algumas estratégias que funcionam bem. Uma delas é separar um período mínimo durante a semana para conversar sobre o assunto – mas é importante que seja algo fixo, pois se esperarmos o assunto surgir naturalmente, é muito provável que isso não aconteça”, ressalta.

Outra forma, muito comum entre os casais mais velhos, segundo Amuri, é abrir as contas e conversar sobre o tema. “No início, quando o casal começa com essas dinâmicas, não precisa abrir todos os pontos. Depois, com o tempo, o ideal é que essa conversa tenha melhor qualidade e vá evoluindo aos poucos. Para muitos, falar sobre dinheiro é um tabu ainda maior que falar sobre a vida sexual. Com essas práticas, até mesmo os casais mais travados para falar sobre o assunto entenderão os benefícios desse diálogo. A intimidade que se ganha ao falar de dinheiro irá se refletir em outras áreas, como nos sonhos em comum, por exemplo”, observa.


Como fazer a divisão de despesas?

O professor do Instituto Educacional BM&FBOVESPA acredita que é importante que o casal estabeleça uma divisão de responsabilidades e isso pode variar de acordo a situação de cada um. O importante, de acordo com Netto Filho, é ter em mente que as despesas da casa dizem respeito aos dois e não só a uma parte.

Amuri também aponta que a forma de dividir as despesas varia de acordo com as características de cada casal. “Geralmente, é feito um aporte proporcional ao salário que cada um recebe. Mas já vi casos em que um dos membros ganhava menos e não aceitava contribuir com menos que o outro. Aí é preciso analisar aspectos sutis, que vão além dos valores. É importante que nenhum dos dois se sinta menosprezado ou oprimido com a divisão”, pondera.

Apesar de não haver uma fórmula pronta, uma das formas que Amuri observa funcionar bem para vários casais é ter três contas bancárias – cada um tem a sua e ainda possuem uma conta conjunta, onde ambos depositam dinheiro para pagar as despesas em comum.


Erros mais comuns em relação ao dinheiro

Na opinião de Netto Filho, um dos erros mais comuns em relação ao orçamento familiar é quando um fica culpando o outro pelos problemas financeiros. “É como uma batida de carro, é um erro em conjunto. Por isso é preciso conversar”, explica.

Outro erro citado tanto pelo professor do Instituto Educacional BM&FBOVESPA quanto por Amuri é só um dos membros do casal fazer o controle de gastos e o outro ficar apenas olhando. “Quando não há democratização das decisões é um problema”, destaca Amuri. Netto Filho completa: “Nesses casos, o que acontece, muitas vezes, é que quem controla sofre e o outro se torna um bom vivant”.

Amuri ainda levanta outros pontos que podem atrapalhar o orçamento familiar: utilizar softwares muito complexos, pois não há necessidade, e adotar um planejamento muito mecânico. “Quando se faz um planejamento muito mecânico, sem discussões de objetivos entre os dois, ele acaba não se sustentando”, conclui.