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17/03/2015

Por uma vida mais tranquila, mas ativa

Para especialista, cada um deve atuar para moldar seu próprio envelhecimento, para se proteger dos fatores de risco que diminuem a qualidade de vida.

A professora aposentada Marluce Sampaio afirma que nunca foi tão feliz quanto agora. Aos 88 anos, ela diz que a qualidade de vida aumentou muito. Hoje, com os rendimentos que conquistou com o planejamento feito ao longo da carreira, ela tem mais tempo para se dedicar a atividades que dão prazer. Além disso, ela não deixou de trabalhar, e ainda dá aulas particulares.

“Não que eu tenha sido uma pessoa infeliz enquanto estava na vida profissional ativa, mas é que hoje eu consigo ter a qualidade de vida que sempre sonhei para mim. A aposentadoria é um momento que todos devem ter a oportunidade de aproveitar. E para ter essa qualidade é preciso se planejar, e foi o que eu fiz”, afirma.

No Brasil, a expectativa de vida é de 73 anos, mas em alguns países da Europa e da Ásia ela já passa dos 80 anos. Isso quer dizer que a população idosa está se tornando mais numerosa. Os avanços da medicina e da sociedade têm permitido que a chegada a essa etapa da vida seja mais tranquila e mais ativa.

O médico neurologista e pesquisador Jay Gerpen explica que a qualidade de vida no envelhecimento é determinada por fatores genéticos, ambientais e pelo histórico de cada pessoa. Para ele, cada um deve atuar para moldar seu próprio envelhecimento, para se proteger dos fatores de risco que diminuem a qualidade de vida.

“Hoje em dia há grandes evidências de que a condição física está diretamente ligada à preservação das funções cognitivas. Uma simples caminhada ativa todos os níveis do sistema nervoso, do cérebro aos músculos, coordenados em uma variedade de formas complexas. Esse exercício é uma forma muito eficiente de melhorar a cognição”, afirma.

A psicoterapeuta Celia Lima afirma que o próprio conceito de aposentadoria mudou nos últimos anos, e que isso decorre da mudança no entendimento do próprio processo de envelhecimento. Segundo ela, há alguns anos a aposentadoria era vista como o primeiro passo para deixar de ter atividades, o que não ocorre hoje.

“Antigamente relacionava-se aposentadoria com improdutividade, e os aposentados viam a si próprios como anciãos a quem não restava nada a não ser o tempo passar. Com o aumento da expectativa de vida, os avanços da medicina e a mudança do conceito de velhice, a aposentadoria chega, nos dias de hoje, abrindo muitas possibilidades de renovação da vida”, avalia.

Celia explica que, para o profissional garantir maior qualidade de vida, o momento da aposentadoria também deve ser aproveitado para descansar. Entretanto, isso não significa ficar parado. Para a especialista, “descanso não significa necessariamente ficar sem fazer nada”.

“Ninguém precisa de uma eternidade para descansar o corpo, que se refaz com noites bem dormidas. Descansar a mente não pressupõe necessariamente não ter em que pensar. Descansar é também buscar atividades que proporcionem prazer. Existe um tempo necessário que faz parte do aprendizado do recém-aposentado: o que fazer com as horas do dia? Como ocupar o espaço da casa que até então se resumia a poucas horas pela manhã e à noite? Como reintegrar-se à convivência familiar, à vizinhança? Naturalmente há que se descobrir uma nova forma de viver, mas é possível continuar em movimento na busca de realizações”, complementa.