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05/05/2016

Trabalhar como consultor é opção após aposentadoria

Carreira exige ampla experiência prévia no setor e habilidade para transmitir conhecimento

Quais são seus planos para o momento da aposentadoria? Continuar trabalhando na mesma área como consultor é uma opção para alguns aposentados. De acordo com a pesquisa “Perfil das Empresas de Consultoria no Brasil 2015”, realizada pelo Laboratório da Consultoria, em todo o país, 22,2% dos consultores têm entre 46 e 60 anos, e 3,7% têm mais de 60. E, dentre os profissionais que responderam à pesquisa, 56,2% estão satisfeitos com o trabalho como consultor e 27,2% estão muito satisfeitos.

Para Luiz Affonso Romano, presidente da Associação Brasileira de Consultores (ABCO), consultor organizacional e diretor do Laboratório da Consultoria, tornar-se um consultor após a aposentadoria é uma opção bastante viável. “Atualmente, a expectativa de vida aumentou muito. As pessoas podem se aposentar por volta dos 50 anos e, provavelmente, terão pelo menos mais 20 anos pela frente. Acredito que é uma insensatez deixar de trabalhar. No caso de colaboradores do Banco do Brasil, por exemplo, que prestam concursos e são altamente preparados, há um bom mercado na área de consultoria”, afirma Romano.

Wellington Moreira, palestrante e consultor empresarial nas áreas de formação de lideranças, desenvolvimento gerencial e gestão estratégica da Caput Consultoria, acredita que quanto mais experiente for o profissional, mais valorizado ele será pelo mercado. “Existe um termo no mercado que é o chamado consultor cabeça branca, que é justamente aquele que acumulou mais experiências ao longo da carreira”, explica. Wellington cita, ainda, que algumas empresas possuem projetos para que funcionários continuem trabalhando após a aposentadoria como consultores. “Isso implica numa jornada de trabalho menor e mais flexível”, completa.

Na opinião do presidente da ABCO, as empresas privadas cada vez mais estão automatizando seus processos e isso faz com que uma das formas de empreender seja na consultoria. “Mesmo agora, com esse momento pelo qual a economia vem passando, segundo a pesquisa que realizamos pelo Laboratório de Consultoria, o mercado vem aceitando bem os consultores, porque estão precisando de profissionais que vejam forças, fraquezas, ameaças e oportunidades para as empresas”, pontua Romano.

Preparação para se tornar um consultor

Segundo Romano, para se tornar um consultor, é possível fazer alguns cursos, no entanto, há algumas características que tornam o trabalho melhor, como saber ouvir e perguntar, boa expressão verbal oral e escrita, comportamento ético, saber cumprir prazos, estar orientado para resultados e ter um distanciamento, para analisar a empresa e encontrar os problemas com isenção. E, no caso dos aposentados, as empresas podem se beneficiar da experiência desses profissionais. “O conhecimento não tem prazo de validade. Quanto maior tempo de trabalho, maior a experiência”, destaca o presidente da ABCO.

Ao optar pela carreira de consultor, Moreira recomenda que o profissional esteja atento aos seguintes pontos:

  • Preparação: o ideal é que ele comece a carreira de consultor antes de se aposentar. “Dessa forma, a mudança é menos brusca e ele conseguirá fazer a virada de forma mais natural e sem sentir o baque na parte financeira. Além disso, o mercado já se acostumará a vê-lo nessa nova função, como alguém que está pronto para resolver problemas. O ideal seria começar cerca de dois a três anos antes”, observa;
  • Na opinião de Moreira, para se tornar um consultor, é essencial ter experiência na área em que se quer atuar e facilidade de transmitir o aprendizado. “Há pessoas que contam com uma vasta bagagem, mas têm dificuldades de lidar com outras pessoas e de ensiná-las. E, na carreira de consultor, será preciso fazer treinamentos e ensinar o tempo todo. Além disso, muita gente se aposenta e quer fazer algo que nunca fez. Não adianta ter trabalhado anos em um determinado segmento e querer prestar consultoria em outro, pois será difícil passar o conhecimento. O ideal é que a consultoria esteja ligada às experiências acumuladas. Ele tem que escolher aquilo que faz bem, isto é, áreas em que acumulou prêmios e certificações, por exemplo”, alerta;
  • Prepare-se para vender: “Essa é uma tarefa com a qual o profissional provavelmente não tinha que lidar como funcionário de uma empresa. O mais natural é começar pela própria rede de contatos, pessoas que sabem que o profissional desempenha bem o seu trabalho”, comenta Moreira.

Mudanças na rotina

Tornar-se um consultor certamente traz uma rotina um pouco mais tranquila para o trabalho e pode ser ideal para quem não quer deixar de trabalhar, mas deseja imprimir um ritmo menos agitado após a aposentadoria. “Tornar-se um consultor traz uma outra rotina de trabalho. O profissional tem domínio completo sobre o seu tempo e pode definir seus horários e compromissos, buscando fugir, por exemplo, dos picos de trânsito em sua cidade”, avalia Romano.
Outra vantagem que o diretor do Laboratório da Consultoria enxerga nessa profissão é a liberdade para escolher os projetos em que deseja trabalhar ou até mesmo a possibilidade de despedir o cliente.