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Medicina

21/03/2017

Exercícios contribuem para saúde dos neurônios

Uma pesquisa realizada em parceria entre a Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) revelou: os exercícios físicos não fazem bem apenas à saúde corporal das pessoas idosas, mas também podem evitar processos inflamatórios e degeneração cerebral.

A equipe que conduziu o estudo explica que os comprometimentos cognitivos de leve intensidade podem ser o indicador do futuro aparecimento de doenças degenerativas, como a doença de Alzheimer. À medida que envelhecemos, algumas funções vão sofrendo declínio – entre elas, a memória. Mas isso pode ser combatido com as atividades físicas.

Para realizar o levantamento, os pesquisadores separaram idosos em quatro grupos, levando em conta se tinham ou não comprometimento cognitivo e se eram adeptos ou não de práticas de exercícios físicos. Cada um deles foi avaliado por um período de quatro meses. Depois disso, os resultados mostraram que houve benefícios para todos os que participaram das atividades físicas (em três sessões semanais de uma hora cada).

“Mesmo aqueles que já apresentavam condições que poderiam marcar o início de um processo neurodegenerativo tiveram melhoras significativas das funções cognitivas. Em outras palavras, é como se o exercício ajudasse a desacelerar o processo de inflamação e degeneração cerebral, auxiliando na produção de substâncias que trabalham a favor da saúde mental”, afirma Carla Manuela Crispim Nascimento, pesquisadora responsável e uma das autoras do estudo.

Carla, que é pós-doutoranda do Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas realizado em parceria pela Unesp e pela Ufscar, explica que os estudos mostraram que determinadas substâncias estão diretamente ligadas à formação de placas amiloides – depósitos de proteínas que bloqueiam e matam os neurônios, aumentando o risco da doença de Alzheimer em até quatro vezes.

Cuidados na hora de se exercitar

Apesar das orientações para não deixar de manter uma rotina de exercícios físicos na terceira idade, é preciso ter cuidado. A prática sem orientação e preparação pode trazer riscos e prejuízos que poderão eliminar os benefícios. A médica geriatra Cybelle Diniz, do hospital Samaritano de São Paulo (SP), afirma que esses cuidados devem ser redobrados em épocas de temperaturas altas.

“Por conta do processo natural de envelhecimento, o organismo de quem tem mais de 60 anos é mais vulnerável e precisa de mais atenção. A idade por si só não limita qualquer atividade física. As limitações têm a ver com o estado global de saúde e condicionamento. Por isso, é preciso passar por uma avaliação médica antes de começar a praticar atividades”, explica.

Algumas dicas e cuidados devem ser seguidos por todos que desejam praticar exercícios físicos, sejam idosos ou não. Quem se exercita ao ar livre, por exemplo, deve usar roupas leves e confortáveis para facilitar a transpiração. É necessário, ainda, beber muito líquido, mesmo que não sinta sede.

“Os cuidados devem se estender também à alimentação, sendo indicada a ingestão de alimentos leves e frescos para facilitar a digestão. Consumir diariamente proteínas de boa qualidade também é recomendado, uma vez que essas são responsáveis pelo fortalecimento dos músculos. Também é preciso evitar atividades físicas logo após as principais refeições”, destaca a especialista.