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Sala do Participante

Medicina

12/09/2017

Transtorno de ansiedade: o que é isso?

 
A ansiedade é algo comum, que faz parte do dia a dia de todas as pessoas. Mas se ela for excessiva, pode ser um problema chamado de Transtorno da Ansiedade Generalizada (TAG).
 
A psicóloga clínica Mayanna da Cunha reforça que a ansiedade é algo natural do ser humano, um estado que pode ser ativado diante de algumas situações que a própria pessoa avalia como perigosas ou ameaçadoras:
"É um mecanismo de sobrevivência. Acontece para que as pessoas consigam reagir de forma adequada diante de situações que exigem atitude de enfrentamento. O cérebro libera substâncias como a adrenalina e faz com que a pessoa fique em alerta. Quando o nível de ansiedade transborda e deixa de ser natural, atrapalhando a vida, e vem acompanhado por dores de cabeça, dores no peito e angústia, esse é um estado que pode preocupar, e é aí que começa a se configurar o transtorno”.
 
A terapeuta ocupacional Fabrícia Loschiavo, doutora em neurociência pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pela Universidade de Cambridge, explica que esse transtorno é um problema típico da modernidade e pode apresentar diversas formas no dia a dia, mas se torna um distúrbio quando se manifesta em longos períodos – por seis meses ou mais –, trazendo danos físicos e psicológicos e prejudicando a vida e os afazeres diários.
 
 
A médica alerta para a necessidade de diferenciar a ansiedade generalizada do sentimento comum. “A ansiedade é causada por diversas situações corriqueiras. Mesmo que essas situações não mudem ou demorem a mudar, a pessoa tende a se adaptar e a lidar melhor com a tensão. O grau de desconforto diminui com o tempo. Porém, pessoas que vivem apreensivas, tensas e nervosas por longos períodos, cansam-se com facilidade, têm insônia, dificuldade de concentração e frequentes esquecimentos podem ter um diagnóstico de TAG”, explica.
 
Pessoas extremamente ansiosas acabam perdendo a capacidade de relaxar e não ficam tranquilas em nenhum momento. E as consequências podem ser graves, como problemas cardíacos e depressão.
 
“A detecção do problema com antecedência ajuda muito. É importante que, ao perceber que a ansiedade está exagerada, a pessoa tente uma mudança de hábitos, como separar um tempo maior para si mesma, buscar uma atividade prazerosa, alimentar-se corretamente e dormir bem”, complementa Fabrícia.
 
Cada pessoa diagnosticada com TAG vai receber um tratamento específico, de acordo com suas características individuais e com o grau de manifestação do transtorno. Segundo a terapeuta, praticar atividades físicas e esportivas ajuda a minimizar o problema, mas em alguns casos o uso de medicamentos receitados por médico e a psicoterapia também podem ser necessários.