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Como buscar uma nova atividade?

06/12/2017

Como buscar uma nova atividade?

Artes, esportes, trabalho. As opções de atividades que podem ser realizadas depois da aposentadoria são muitas. Não importa qual é a preferência ou a necessidade do profissional, o mais importante é se manter ativo. Por isso, é fundamental se organizar para localizar qual atividade mais agrada ou melhor se adapta às necessidades do dia a dia.

A psicóloga clínica Amanda Spinicci Paiva, da clínica Life Psicologia, destaca que a mente de cada profissional deve estar preparada para entender as mudanças naturais do corpo com o passar dos anos, e isso é importante para definir a que se dedicar quando chegar o momento da aposentadoria.

Segundo a especialista, a dedicação a atividades de qualquer natureza é fundamental para os profissionais aposentados. Isso garante mais força e saúde para corpo e mente. Por outro lado, quem não abraça uma nova rotina pode desenvolver uma visão pessimista do dia a dia, antecipando problemas comuns ao avanço da idade.

“As pessoas em idade de se aposentar geralmente têm dificuldade para se abrir. Porém, quando se dedicam a atividades, como as artísticas ou as de outra natureza, se tornam menos arredias. Essas atividades ajudam a entender melhor o processo de envelhecimento e valorizam a autoestima do profissional, que continua a produzir, mesmo fora do ambiente de trabalho”, afirma Amanda.

O consultor financeiro e palestrante Fagner Nogueira Marques lembra que, na atualidade, a aposentadoria não representa simplesmente deixar de trabalhar. Hoje, essa fase da vida deve ser aproveitada para fazer o que se gosta. Para algumas pessoas, encontrar essas atividades é algo simples – pode ser a chance de realizar o sonho de uma vida. Para outras, é preciso refletir e se organizar para fazer essa busca. Em todos os casos, o planejamento é fundamental.

“Quem não se planejou, terá de trabalhar para se manter. Quem se planejou, vai trabalhar com o que gosta ou fazer outras coisas fora do ambiente laboral. Em alguns casos, a pessoa vai se tornar consultora; em outros, exercerá alguma profissão, mas terá mais tempo para se dedicar a um hobby, como escrever, pintar, cuidar de cachorro. Se foi uma pessoa que se preparou, pode até fazer do hobby uma fonte de renda”, explica.

“Todos os profissionais devem ter consciência de uma realidade: a mudança. Ainda vejo muitas pessoas se imaginando sem fazer nada na aposentadoria. Quem pensa que esse é o caminho, acaba tendo surpresas desagradáveis. A aposentadoria não é deixar de exercer atividades, é se preparar para exercer as atividades que dão prazer”, afirma.


Preparação desde cedo?

Para o gerontólogo Israel Jacintho, da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG), estar devidamente habituado a uma rotina na aposentadoria é algo tão importante que essa preparação deve começar antes mesmo da entrada na vida profissional. Mais que isso: o início do processo deve acontecer ainda na infância.

“Entendo que a criança é um idoso que está em um processo de sua vida. Se modificarmos o início, teremos um final diferente. A preparação para a aposentadoria como um todo é um processo que deve ser entendido pelas crianças. Geralmente, esse processo começa por volta dos 35 anos de idade, quando cresce a preocupação com o envelhecimento, e aí já é tarde demais”, conclui.