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08/12/2016

Muitos motivos para começar a se exercitar

Uma pesquisa realizada pela agência Hello Research em 70 cidades do país aponta que 76% das pessoas com mais de 60 anos não possuem o hábito de realizar atividades físicas regulares. O mesmo estudo apontou que o total de sedentários no Brasil chega a 60% da população. Do total de entrevistados, 76% das mulheres e 55% dos homens confessaram ser sedentários. Entretanto, a aposentadoria pode ser uma boa época para sair dessa condição e iniciar ou retomar a prática de exercícios físicos.

De acordo com Fátima Fernandes Christo, cardiologista, geriatra e membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), o ser humano não foi feito para ficar parado e nunca é tarde para começar a prática de exercícios físicos. “Com as facilidades da vida moderna, todo mundo anda de carro, ônibus ou metrô. Por um lado, isso é muito bom, pois permite que as pessoas cheguem mais rápido aos lugares, por outro lado, isso trouxe uma geração inteira de pessoas cada vez mais sedentárias. Isso é uma preocupação mundial”, afirma.

Cuidados na prática de exercícios

Diego Leite de Barros, fisiologista do esporte do Hospital do Coração em São Paulo (SP) e diretor da DLB Assessoria Esportiva, destaca a importância de realizar uma avaliação antes de iniciar a prática de exercícios físicos. “Principalmente para pessoas que se encontram acima dos 50 anos, é importante realizar uma avaliação para saber sobre possíveis limitações e também para indicar a intensidade dos exercícios a serem realizados”, explica.

“Devem ser evitados exercícios que exijam elevada intensidade e uma consequente solicitação do sistema anaeróbio, por levarem a um maior desgaste muscular e aumentarem o risco de lesões em determinadas estruturas. Os exercícios devem ser feitos com moderação, sem conduzir o praticante à exaustão, fadiga ou dor. A avaliação médica prévia é que irá estabelecer os limites ou não para determinada atividade. Deve-se realizar uma avaliação física para mensurar características como força, flexibilidade e capacidade cardiopulmonar”, explica o médico geriatra José de Carvalho.

Benefícios da prática de exercícios

Motivos para realizar exercícios após a aposentadoria (e durante toda a vida) não faltam. Fátima esclarece que, no início, é comum sentir dificuldades, como dores e incômodos. Entretanto, a médica acredita que, ao ultrapassar essa barreira, fica mais fácil seguir em frente.

Segundo Carvalho, os benefícios são vários. “Maior resistência corporal, flexibilidade, força muscular, equilíbro e melhorias nas realizações das atividades práticas diárias. Os exercícios físicos também diminuem a incidência de infecções respiratórias e urinárias. Dados científicos já relacionam longevidade a exercícios físicos na terceira idade. Eles colaboram para que se chegue a uma idade avançada com mais saúde e disposição”.

“Existe uma associação direta com a redução do sobrepeso e a melhora de diversas doenças relacionadas ao sedentarismo, como a diabetes, controle de colesterol, além da questão da mobilidade e autonomia nas atividades do dia a dia”, diz Barros.

Fátima lembra ainda que os exercícios físicos fazem com que as pessoas movimentem não só os músculos das pernas e braços, mas também o coração, que bombeará sangue para o corpo todo. Ela também comenta que pode ser benéfico para as articulações, melhorando artroses, por exemplo.  

Carvalho ainda afirma que o exercício físico pode colaborar para a manutenção e a melhora da memória, uma vez que pela repetição e dificuldade na realização dos movimentos exigidos, trabalha-se a concentração, a atenção, o raciocínio e o aprendizado motor.

Outro ponto positivo na realização de exercícios diz respeito à sociabilidade. “O aposentado recupera e reconquista um círculo social de amizade, já que em clubes, academias ou  associações mantém contato com outras pessoas”, acredita o médico geriatra.

Exercícios indicados

Há uma série de exercícios que podem ser praticados e que não causam tanto impacto. Fátima recomenda, por exemplo, a hidroginástica, por ser um exercício de baixo impacto; a dança, por ser uma atividade prazerosa; e a caminhada, que pode ser feita em qualquer lugar.

Barros sugere a prática de exercícios aeróbios mais moderados, como caminhadas, também atividades que incentivem o fortalecimento muscular, como a musculação, e alongamentos. “Só deve haver o cuidado para não trabalhar com uma carga muito elevada”, alerta.