Sala do Participante

Vander André Araújo

12/06/2020

Vander André Araújo

Fale resumidamente sobre você: onde nasceu, onde vive, sua carreira no Banco do Brasil, se é aposentado ou ainda trabalha e outros fatos que deseja destacar.

Nasci em Bom Despacho, no centro-oeste de Minas Gerais, em março de 1971.  Do banco da escola ao Banco do Brasil, iniciei a minha profissão como menor aprendiz e no BB fiquei por mais de 35 anos como administrador em agências, centros de serviços, Gepes BH. Desempenhei funções de gestão cultural na empresa, inclusive como gerente do CCBB em Belo Horizonte, onde ampliei meu desejo de escrever e de me enveredar pelo mundo das artes.  Atuo também como educador da Universidade Corporativa Banco do Brasil. Gosto de viajar e registrar em fotografias quase tudo o que vejo. Sou bacharel em Direito, especialista nas áreas de Gestão Empresarial, Admin. Mercadológica, tenho MBA em Gestão do Desenvolvimento Regional Sustentável e atualmente curso Filosofia na UFMG, em Belo Horizonte (MG).

Como surgiu a literatura em sua vida?

Escrevo desde a adolescência versos "ridículos de amor", como definiu Fernando Pessoa. Durante o amadurecimento, com a ajuda da psicanálise e do curso de Filosofia, passei a me interessar mais pela prosa e dei início à escrita de vários textos que culminaram nos contos que escrevo desde então. Aproximei-me mais ainda do mundo das artes no CCBB Belo Horizonte, onde fui gestor e tive contato com artistas do teatro, dramaturgos, bem como músicos e artistas visuais, o que me motivou para a escrita.

Em que você se inspira? Você se espelha em outros autores?

Desde cedo, desenvolvi um olhar apaixonado pela natureza e acompanhei a rotina dos meus pais na fazenda da Prata, onde morei até os 6 anos.

No cotidiano das ruas de Bom Despacho, convivi com os meus novos colegas, parentes e tias e pessoas das ruas. Meu interesse é por todos aqueles que têm um jeito diferente de encarar a vida e muitas vezes são discriminados pela sociedade por serem “doidos demais da conta”. Na poesia, gosto de Fernando Pessoa e Drummond. Já na prosa, Guimarães Rosa!

Ao escrever, quais assuntos e temas mais despertam seu interesse? Por quê?

Escrevo sobre o cotidiano das pessoas em Minas Gerais, que acabam se transformando em personagens universais dada a similaridade com o tipo brasileiro e, por que não dizer, mundial, seguindo os passos do Sertão de Rosa. Tenho interesse pela loucura, assim entendida na concepção normativa da sociedade e discuto temas como preconceito, discriminação e também pesquiso grupos minoritários, invisíveis ou desconsiderados pela sociedade contemporânea.

Que obras já lançou e sobre que temas se referem?

O livro Roupa Suja de Inconfidente teve lançamento virtual, dadas as atuais condições restritivas impostas pela pandemia. No livro, podemos ler versos e contos sobre personagens com quem convivi na infância no interior de Minas Gerais, ligados ao tema da loucura ou do que muitos de nós consideramos "doidos demais da conta". Explorei o conceito da loucura, compreendida a partir do que a nossa sociedade define a respeito do comportamento daqueles que convivem conosco, que são marginalizados e excluídos.

Está trabalhando em alguma nova obra? Tem alguma previsão de lançamento?

Estou escrevendo contos sobre o momento atual da pandemia e, inclusive, participando de publicações em revistas, redes sociais do concurso de contos da Editora Lello, na cidade do Porto, Portugal.

Qual a importância do trabalho criativo em sua vida? O que você busca com suas obras?

Há no meu texto um chamado para que todos nós possamos lavar a nossa roupa suja e descobrir o que fazemos com ela: se a tiramos, se nos mascaramos, nos adaptamos à moda ou nos travestimos. A partir daí, com ou sem roupa, repensar a nossa forma de encarar o outro, notadamente aqueles que pensam e agem diferente de nós, compreendê-lo, respeitá-lo e, num exercício de alteridade, perceber o que nos incomoda e descobrir que o "inferno" pode não ser necessariamente "os outros".

Recomenda a outros colegas que se dediquem a esse tipo de atividade? Por quê?

Recomendo que todos os colegas que tenham histórias para contar iniciem o trabalho da escrita, num processo natural de catarse, para que possam cada vez mais se autoconhecer e superar as barreiras da impotência e do comodismo. Compartilhem com o universo os talentos que todos temos e desenvolvam a humanidade e a sensibilidade que há em nós.

Gostaria de destacar mais alguma informação?

O livro Roupa Suja de Inconfidente tem sido muito bem aceito pelos colegas que, neste período de distanciamento social, adquirem o seu exemplar e me enviam fotos para "autógrafo virtual" na rede social, ocasião em que também compartilham as suas percepções, o que tem sido enriquecedor. Meu instagram é @vanderandre

Como ter acesso a suas obras?

O livro Roupa Suja de Inconfidente está disponível na loja da editora Ramalhete e também está disponível para compra no site da Amazon ou pelo meu e-mail particular: vanderandrearaujo@gmail.com