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Francisco de Paula Almeida fotografa a caatinga

28/12/2015

Francisco de Paula Almeida fotografa a caatinga

Dos cordéis carregados de cultura nordestina ao bioma da Caatinga, o artista e aposentado há pouco mais de um ano, Francisco de Paula Almeida, esteve imerso em arte desde a infância, em meio a contadores de violas, poesia e artesanato. Graduado em história, Francisco trabalhou como Gerente de Relacionamento de Pessoa Jurídica por seis anos em Serra Branca e teve passagens por Campina Grande, Fagundes e por Puxinanã, todas na Paraíba.
Natural de São João do Cariri, uma pequena cidade colonial da Paraíba onde tem até hoje seu ateliê, ele vive em Campina Grande. Durante a infância, a presença do pai, marceneiro e tocador de viola, o inspirou muito para que fosse um adorador da arte. Hoje com 51 anos, escreve, fotografa e pinta com o objetivo de mostrar o valor de sua terra natal.

Fotografia

“Faz 10 anos que comecei com esse trabalho, mais como um hobby de final de semana. Ia passear e comecei a perceber os elementos da Caatinga, a fauna e a flora, e tive que começar a registrar as paisagens, animais e insetos”, conta Francisco. Suas fotografias sobre a diversidade, as cores e a beleza da caatinga já foram inclusive temas de reportagens na TV Itararé, de Campina Grande, e no Jornal da Paraíba.
Francisco trabalha com a macrofotografia, que captura detalhes ínfimos como o olho de uma formiga ou as listras de uma lagarta. Com essa técnica, ele consegue destacar as cores mais exóticas encontradas na natureza da caatinga. Ele tem também um DVD intitulado “Caleidoscópio”, que retrata imagens da Caatinga.

Poesias e cordéis

Quem pensa que o trabalho do artista se resume a fotografias se engana: na terra dos cordéis encantados, Francisco dá asas às letras em forma de poesia. “Sou apaixonado pelo cordel, pois é uma criação nossa. As pessoas têm uma orientação errada de que o cordel é português, mas de acordo com as configurações como ele se apresenta agora, nessas características, ele é nordestino e foi criado por Leandro Gomes de Barros, então é uma literatura genuína e nossa”, pontua o Caririzeiro.

Como poeta, Francisco inspira-se muito na poesia regional e reconhecida nacionalmente de Pinto de Monteiro. “Me espelho muito nele, ele frequentava minha casa e foi reconhecido até por Drummond e Manuel Bandeira”.
Atualmente, o poeta está escrevendo um livro sobre fotografia, outro sobre contos e um terceiro de história. Para fomentar a escrita, o paraibano tem um projeto chamado Conhecendo o Poeta, onde busca promover a poesia regional e o contato entre poeta e leitor, ajudando a divulgação de poetas que não teriam condições de arcar com os custos das tiragens da Literatura de Cordel. Ele se responsabiliza por todas as etapas para a publicação das poesias.


Pintura e Artesanato

Francisco conta que começou mais tarde na pintura, em meados dos anos 90, inspirado pelo surrealismo de Salvador Dalí e pelo impressionismo de Van Gogh. Vindo de família de marceneiros, conta que a habilidade para desenho já vinha de seu pai, que deixou também alguns traços das rodas de viola. Como artesanato, todos os materiais das caatingas são aproveitados para a criação, desde as madeiras às sementes.

Arte engajada

Quando questionado sobre a arte ser a representação de sua região, Francisco revela: “Sim, sem dúvida, é um dos meus objetivos, porque procuro ter uma arte engajada, que não seja movida só por beleza, mas também cause alguma reflexão. Quero que as pessoas possam perceber o universo no qual estão inseridas, procuro então trazer esse universo quase invisível a olho nu e que está sendo deixado para lá. Meu trabalho é nesse sentido, de alertar, de fazer com que cada pessoa perceba a importância de cada elemento da natureza”, finaliza.

Para conhecer melhor o trabalho de Francisco de Paula Almeida, entre em contato por e-mail franciscodepaula.almeida@gmail.com ou pelo Facebook: https://www.facebook.com/franciscoalmeida.almeida.9

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