Sala do Participante

Geraldo Ananias Pinheiro

11/10/2019

Geraldo Ananias Pinheiro

Como surgiu seu interesse pela literatura?

Na verdade, nunca havia pensado em ser escritor, dedicar-me a escrever, publicar um livro de literatura, até porque minha primeira formação acadêmica foi matemática. Todavia, tomei posse no BB, pude perceber que colegas que escreviam bem tinham mais facilidade de conseguir cargos comissionados, que eram os melhores. Assim, comecei a participar de cursos de português que eram ministrados pelo antigo Desed. Isso foi o início de tudo, o primeiro passo. O segundo, aconteceu devido às histórias que eu contava da roça — da época em que morava no sertão do Ceará — e que arrancavam gargalhadas dos colegas. Resolvi colocar algumas delas no papel. Daí veio o terceiro e definitivo fato: já aposentado do BB, quando cursava pós-graduação em Direito Público, o professor de Português Instrumental disse ter gostado muito do trabalho que eu havia feito. Perguntou se eu tinha algo escrito de minha autoria. Mostrei a ele uma crônica minha, intitulada “A raiva que o jegue Novato me fez”, que que ele achou “excelente”. O professor me incentivou tanto a escrever que, no final daquele mesmo ano de 2006, publiquei meu primeiro livro, intitulado Foi Assim..., que logo teve a edição esgotada. Daí não parei mais de escrever e, a partir do terceiro livro, passei a navegar nos mares um pouco mais difíceis dos romances.

Qual a motivação para escrever um livro como Marcas na Alma?

Retratar, em ficção, sérios problemas — e suas soluções —  que nos acometem nos dias atuais. Nesse último livro, por exemplo, abordamos aspectos referentes à família como desajustes e drogas; problema de se aposentar sem estar preparado; depressão; aspectos de perda de poder; religião; doenças na velhice; e a vida do idoso. Tudo isso, se não for bem trabalhado, deixa profundas marcas na alma. Mostro também a importância de se usufruir algo de bom na última etapa da vida, como viagens com a família, por exemplo, como forma de minimizar as dificuldades de nossos dias.

Quais autores você se inspira? E por quê?

Na verdade, apesar de gostar muito do Carlos Drummond de Andrade e do A. J. Cronin, a minha inspiração vem mais do dia a dia de minha vida, das viagens que faço para fora com minha esposa e, principalmente, da experiência que tenho e ainda daquilo que usufruo com a minha gente do sertão. Não sei como escrevo coisas que talvez não estejam ao alcance desse pobre sertanejo, que, por ter morado na roça do interior do Ceará, só veio aprender a ler aos 12 anos de idade. Entretanto, os sábios já diziam que “Escrever tem só 10% de inspiração e 90% de transpiração”. Transpiro muito! É isso.

Está trabalhando em alguma nova obra? Se sim, qual previsão de lançamento?

Sim, depois que escrevi o primeiro, nunca mais parei. Este mês, cheguei de viagem a Portugal e, em abril, pretendo voltar a África e ao Leste Europeu. Sempre que escrevo, mesmo em romance, levo o leitor a fazer essas viagens — nesse aspecto, reais — acompanhando a trajetória dos personagens e o desenrolar da trama. Do primeiro livro ao sexto, houve um intervalo de dois anos; do penúltimo ao último, três anos. Acho este espaço de tempo suficiente para mim. Afinal, estou aposentado e não quero mais correr tanto. Dessa forma, pretendo publicar o próximo livro em três anos.

Há quanto tempo você escreve e o quanto isso é importante em sua vida?

O primeiro livro foi lançado em 2006. De lá para cá não parei. Diria que escrever está sendo algo que alegra, a cada dia, o meu viver. Foi uma bênção. Hoje é de uma importância crucial em minha vida, ainda mais nessa fase em que venho desfrutando de boa aceitação pelos queridos e amigos leitores. Certamente, me ajudará a envelhecer de uma maneira leve.

Qual sua trajetória dentro do Banco?

Sentia orgulho de trabalhar nessa Instituição. Ganhava relativamente bem, era valorizado pela empresa e pela sociedade em geral, trabalhava feliz. Quando saíamos de férias, às vezes, sentíamos vontade de voltar logo ao trabalho, pois o BB era uma confraria de pessoas alegres, competentes, bons companheiros, enfim, uma família especial. 

Acha importante que os colegas se dediquem a novas atividades? Por quê?

Sem dúvida. Dizem que o homem se realiza quando faz três coisas: tem um filho, planta uma árvore e escreve um livro. Já vi um sábio dizendo que tudo isso é “mentira”, que o homem só se realiza quando tem um filho e o educa para vida; planta uma árvore e a rega até ela criar raízes longas, profundas e fortes; escreve um livro e.....  E tem leitores para ler esse livro. Por isso, espero que leiam o Marcas na Alma, vai fazer bem a todos!