Sala do Participante

Geraldo Dias da Cruz

17/01/2020

Geraldo Dias da Cruz

Fale resumidamente sobre você: onde nasceu, onde vive, sua carreira no Banco do Brasil, se é aposentado ou ainda trabalha e outros fatos que deseja destacar.

Nasci em 1929 na cidade de Belo Horizonte (MG) e atualmente moro em Goiânia (GO). Sou aposentado. Gosto de viajar e escrever poesias. Publiquei meu primeiro livro em 1955.

Como surgiu a literatura em sua vida?

Muito cedo. Aprendi a ler e escrever com 7 anos, depois descobri o livro e me apaixonei por ele. Procuro com a minha palavra dissolver a dor do homem. Assim estou sempre nascendo: nasço e recupero em mim a prometida face - o fogo que aquece meu corpo e acendem nos meus olhos a esperança e o amor.

Em que você se inspira? Você se espelha em outros autores?

A confusão dos tempos causa temor e esperança ao mesmo tempo (suspense), flagrando uma associação intermitente de imagens que instigam o conhecimento. A livre associação das imagens se desenrola em busca da plenitude da palavra que se instala no poema. Escrevo como se estendesse raízes e seu ramo adormecido alcançando o silêncio.

Ao escrever, quais assuntos e temas mais despertam seu interesse? Por quê?

Os poemas que eu escrevo versam sobre o mistério que envolve a minha infância, a natureza e as coisas simples. São palavras que geram um sentimento de inquietude, vontade para o jogo da invenção. Inútil fugir, impossível desviar-se; o enfrentamento do desconhecido é a única forma de atingir a beleza do oculto, o anverso, o inverso de mim mesmo e do poema. O mistério maior da minha criação é o espanto e a dimensão da verdade passa a ser a medida do real vivenciado e sonhado pela palavra. Sou o poeta e o tempo e anuncio o que opta pela imaginação, maior que a vida. Minha criação é destacada como elo entre sujeito e mundo.

Qual a importância do trabalho criativo em sua vida? O que você busca com suas obras?

Estou sempre oferecendo uma flor na mão em concha. É a canção da vida, sempre, sempre, com o coração no lugar do sonho. É a loucura, querendo recusar a realidade. Os acontecimentos alinham-se na revisão da memória (passado) e na projeção do futuro, ampliando as dimensões do presente. E assim vou anulando qualquer juízo de valor sobre o critério temporal e espacial. Fundem-se, assim, real e sobrenatural e o conceito de verdade é posto no poema.

Recomenda a outros colegas que se dediquem a esse tipo de atividade? Por quê?

A leitura é a melhor arte da vida. Com ela estou aprendendo a envelhecer e a morrer. Durante muito tempo a morte foi tratada como um tabu do qual só se falava metaforicamente. Ela era simplesmente "a indesejada das gentes". Depois, a situação foi mudando aos poucos e hoje já se encara a morte sem o pavor antigo.