Sala do Participante

Voluntariado

21/11/2005

Ben Hur Alves Flores

Resgatar e incluir socialmente crianças e adolescentes do bairro Getúlio Vargas, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, é o que pretende a organização não-governamental Anjos e Querubins. Criada em 2001, por iniciativa do sindicalista Ben Hur Alves Flores, a ONG recebe 84 meninos e meninas de 6 a 18 anos. A idéia do projeto é mostrar por meio da arte, da educação e do esporte que um futuro melhor é possível para todos, inclusive para quem vive em situação de miséria, desestruturação familiar e violência. "Quando essas crianças acreditam que se esforçar, estudar e trabalhar traz bons resultados, elas mudam suas atitudes e acabam deixando as ruas", afirma Flores.

"O foco do nosso trabalho é o teatro. Temos dois espetáculos ensaiados, um é o Negrinho do Pastoreio, que levamos às crianças de escolas particulares e públicas, e o outro, voltado para os adolescentes, chama-se A Revolta. A peça discute a importância do respeito ao idoso", conta Flores.

Mas não são somente espetáculos teatrais que a meninada encontra na ONG. A entidade também oferece aulas de dança, música, capoeira, futebol, vôlei, atletismo e reforço escolar, além de manter uma padaria comunitária, que vende pão a R$ 0,05 para comunidade.

Odilon Lorenzato (foto abaixo), 52 anos, foi conquistado pelo trabalho da ONG. Um pouco antes de se aposentar, há dois anos, ele começou a trabalhar como voluntário na Anjos e Querubins. "Quando me aposentei na Unidade Regional de Reestruturação de Ativos de Pelotas, sobrou mais tempo para atuar", afirma. "O serviço voluntário dá mais sentido à vida. É uma forma de não ficar fechado em si mesmo e exercer a cidadania. Muita gente precisa de ajuda", diz ele, que trabalhou 27 anos no Banco do Brasil.

Todos os sábados Lorenzato e sua esposa participam do Grupo de Leitura Mário Quintana. "Levamos jornais e revistas para manter as crianças atualizadas. Cada criança lê um texto, faz um resumo do que entendeu e participa de um debate sobre o assunto. Quando o tema é difícil para eles entenderem, fazemos um gancho com a realidade da comunidade para facilitar", explica Lorenzato. "A gente leva o conhecimento e em troca aprende muito com a vivência das crianças", emociona-se Lorenzato.

O aposentado, que preside o Comitê de Cidadania dos Funcionários do BB da cidade, conta que o grupo ajuda a mobilizar recursos para o funcionamento da Anjos e Querubins. "Já conseguimos mesas e livros que permitiram montar a biblioteca", comemora. Em 2005, o apoio do Comitê permitiu a inscrição no Prêmio Cidadania Herbert de Souza, oferecido pela Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb). O projeto foi contemplado com o 5º lugar e recebeu prêmio de R$ 2.000,00.

Para saber mais sobre o trabalho da Anjos e Querubins, o endereço eletrônico é www.anjosequerubins.1br.net.

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