Sala do Participante

Voluntariado

20/05/2011

Carmen Francisca W. da Silveira

Carmen Francisca W. da Silveira, mais conhecida no Banco do Brasil como Carminha, ingressou no BB em 1977, na agência de Telêmeco Borba, município do estado do Paraná. Em 1992, já graduada pela Faculdade de Direito de Curitiba, realizou concurso interno da instituição tornando-se advogada do banco lotada em Ponta Grossa (PR). Os últimos dez anos antes da aposentadoria, a profissional viveu em Brasíla (DF) por conta do trabalho.

Aposentada em 2007, Carminha deixou Brasília e voltou para Curitiba, cidade onde viveu praticamente toda a vida junto com a família, apesar de ser nascida na Lapa (PR). Com tempo livre e tendo admiração pela arte da contação de história, resolveu frequentar o curso de formação de contadores de história oferecido pela História Viva, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), criada em janeiro de 2005.

Em 2010, por quatro meses, um dia por semana, a aposentada frequentou as aulas aprendendo técnicas e metodologias da contação, que contribui no desenvolvimento intelectual, provoca a oralidade, melhora a interação sociocultural de crianças, jovens e adultos. Durante o curso, Carminha realizou laboratório visitando hospitais, asilos e casas de abrigo.

Memória viva

O "Ouvir e contar" é desenvolvido em hospitais, asilos e casas lares "que abrigam crianças que sofreram abuso familiar " e tem como objetivo transformar através da contação de história os momentos de internação ou passagem por essas instituições. Crianças e idosos são visitados semanalmente pelos voluntários. Os idosos são estimulados a contarem suas histórias e, assim, exercitam a memória e suas recordações afetivas, que são passadas aos jovens.

Uma equipe de redatores transforma essas experiências em contos infantis, que, em seguida, serão passados às crianças e jovens hospitalizados e abrigados. Hoje, 13 instituições localizadas em Curitiba são beneficiadas pelo projeto. A instituição conta com 80 voluntários e já realizou 14 mil atendimentos.

Como os jovens recebem essas histórias?

Essa troca de "casos" entre gerações desperta muita curiosidade e motiva produção de desenhos e poemas entre os jovens e os idosos. Dessa forma, valores familiares e hábito de leitura são passados e absorvidos.

Qual a experiência mais marcante nesses dois anos como voluntária?

Um caso que me marcou bastante é de um menino hiperativo de três anos. Ele tinha uma dificuldade enorme de se concentrar, não ficava parado, não ouvia as pessoas e não falava. Foi muito abusado pelos pais. Começamos a contar histórias e usando como ferramenta cantiga de roda para tornar a coisa mais dinâmica. Ainda que lentamente, o menino começou a se envolver minimamente depois de muito esforço nosso e, para minha surpresa, em uma festinha de aniversário de outra criança ele me pediu refrigerante. Me marcou muito, pois ganhamos a confiança dele através das histórias contadas.

Para quem quiser saber mais sobre o projeto pode escrever para carminhafws@ig.com.br ou acessar o site da instituição historiaviva .

 

Galeria de fotos