Sala do Participante

Voluntariado

16/11/2010

Pedro Noboru Bando

Pedro Noboru Bando trocou o crachá do Banco do Brasil pelo capacete de engenheiro, e tudo isso por um taco de beisebol. Aposentado desde 2001 " e fora do BB desde 1995 " ele dedica suas tardes para ensinar crianças carentes a jogarem beisebol. Hoje ele é técnico no Instituto de Educação, Cultura e Esporte (IECE) e, junto com outros voluntários, procura incentivar as crianças a estudarem e se desenvolverem socialmente desde 1998.

Bando ("Bando de gente boa, era assim que me chamavam no banco") conta que o trabalho do IECE começou informalmente ainda em 98, na Associação Cultural e Esportiva de Londrina (ACEL). "A ACEL é um clube, e lá existem nove campos de beisebol. Durante a semana este espaço todo fica ocioso, então resolvemos utilizar essa estrutura para ajudar crianças carentes", explica. O primeiro trabalho do grupo foi com os alunos da Escola Municipal San Izidro: os voluntários visitavam a escola e montavam times com crianças entre 9 e 10 anos.

Hoje o Instituto cresceu, se formalizou e possui um convênio com a Secretaria Municipal de Educação de Londrina. Os trabalhos ainda são feitos com a E.M. San Izidro, mas o IECE também é parceiro da Escola Municipal José Gasparini: a escola é uma das poucas inseridas no projeto piloto de ensino integral, e duas vezes por semana os voluntários do Instituto passam quatro horas ensinando para as crianças os fundamentos do beisebol. "Esse esporte precisa de muita disciplina, então faz muito bem para as crianças".

Os treinos são realizados no contraturno escolar. "Antes nós transportávamos os alunos até o clube em nossos próprios carros, agora isso é feito com a kombi de um voluntário". Mesmo assim, é preciso que o Instituto tenha seu próprio veículo. "Estamos com uma campanha para arrecadar fundos e adquirir uma van. Nossa entidade pode receber doações de pessoas físicas em até 6% do Imposto de Renda a pagar", conta. A doação é segura " basta entrar no site http://www1.londrina.pr.gov.br, na página do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, clicar em Campanha Futuro Criança e fazer o cadastro do CPF.

Como você se tornou um voluntário?

Saí do Banco do Brasil em 95, na primeira demissão voluntária. Daí comecei a trabalhar como engenheiro civil (sou formado pela USP) e tive contato com a realidade dos meus funcionários " pedreiros, mestres de obras. Percebi a carência de instrução e de acompanhamento para os filhos dessas pessoas.

Por que dedicar seu tempo ajudando outras pessoas, ao invés de ler, escrever ou ficar com a família?

Venho de uma origem muito pobre " meus pais foram imigrantes (vieram do Japão). Quando a gente está no banco ou se aposenta num cargo bom conseguimos uma renda suficiente para viver " e eu sinto que devo alguma coisa para o pessoal que ajudou nossa família. Foi a sociedade que nos recebeu e fez com que tivéssemos uma vida financeira tranquila, então sinto uma obrigação de retribuir isso.

Você gostaria de deixar um recado para outros aposentados que desejam ser voluntários?

Por mínima que seja, qualquer coisa que seja feita para estas crianças dará a elas a oportunidade de crescer. São crianças que vivem em regiões de alto risco, em famílias sem estrutura, sujeitas ao tráfico e à prostituição. Se a gente puder fazer alguma coisa por elas teremos um futuro melhor inclusive para os nossos filhos.

Galeria de fotos