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Voluntariado

19/11/2012

Ricardo de Faria Barros

Palestrante e autor sugere o debate sobre a importância do planejamento

Ricardo de Faria Barros, mais conhecido como Ricardim, ingressou no Banco do Brasil (BB) em 1986. Nascido em Campina Grande (PB), reside em Brasília (DF) desde 1999 por conta do BB. Ricardim é psicólogo, logoterapeuta, conta com especialização em Gestão de Pessoas e mestrado em Gestão Social e Trabalho, mas foi uma experiência familiar que o fez despertar para o interesse no tema da aposentadoria.

Experiências pessoais

"Meus pais foram funcionários do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) da Paraíba por décadas. Minha mãe, quando se aposentou, não sofreu com a mudança. Ela se dedicou à casa e à igreja. Investiu em outros interesses. Já meu pai ficou aguardando convites para seguir trabalhando, não se planejou e tomou a decisão de se aposentar por conta de um momento pelo qual a instituição atravessava. Ele ficou depressivo. Foi um processo difícil e longo", relata Ricardim.

Além dessa experiência, o funcionário do BB, durante oito anos (de 2000 a 2008), foi da Diretoria de Gestão de Pessoas (Dipes) e teve a oportunidade de lidar com muitos colegas já aposentados. Na ocasião, ele percebia que os funcionários que já não estavam mais na ativa tinham seus olhos brilhando quando eram chamados para contribuir nos cursos da instituição.

"Eles não se viam como idosos e nem inúteis, ao contrário, poder contribuir e produzir funcionava como um reconhecimento, uma identidade", analisa.

Outra experiência do funcionário aconteceu junto à Companhia Paranaense de Energia (Copel). A empresa lançou em 2007 seu programa de preparação para aposentadoria e convidou Ricardim para palestrar sobre os aspectos psicossociais da aposentadoria. Os profissionais da Copel o conheciam devido à Organização Não Governamental (ONG) que ele fundou, chamada Grupo de Apoio à Vida, que apoia pessoas portadoras do vírus HIV.

"Há cinco anos dou palestra na Copel. Apresentei o trabalho desenvolvido por eles para Dipes em 2010, quando o BB começou a desenhar o seu programa de preparação para aposentadoria", conta.

Pela sua experiência, quais os cuidados que o profissional deve ter antes de se aposentar?
Não basta cuidar da saúde física e das finanças. É preciso ir além e ter propósitos de vida. Por isso, criei pedagogicamente o Grau de Mitigação do Risco Existencial da Aposentadoria. O ideal é ficar maior do que seis. Finanças valem dois pontos; saúde, três; expectativas reais (dos impactos pessoais, familiares e sociais que sofrerá), três; e propósitos de vida, depois do emprego atual, quatro pontos. Por exemplo, se a sua saúde está bacana e amanhã decidir se aposentar, sua pontuação é dois. A fórmula que mostro nas palestras, inclusive, no BB é F (finanças) + S (saúde) + ER (expectativas reais) + PV (propósito de vida) = REA (risco existencial da aposentadoria). Um resultado abaixo de seis representará uma maior dificuldade na adaptação à vida, no pós-carreira. Costumo brincar dizendo que espero que saiam da palestra ao menos com os três pontos das expectativas reais.

Qual a maior dificuldade do profissional para o planejamento?
Investir tempo no seu autoconhecimento. Há dificuldades em ir trabalhando, ainda na ativa, o processo de separação da (o) esposa (o)-emprego. E aí ele se aliena, por negar o luto que viverá, e como forma de defesa não pensa sobre o assunto e se prepara. Ou seja, não investe ainda no emprego-esposa noutras opções de prazer e sentido do viver. Isso acontece com maior intensidade com aqueles que têm uma vivência masculina do emprego, uma vivência que concebe somente o espaço laboral como expressão de sua identidade, como lugar de seu ethos, produção de sentidos e poder. Quando a pessoa perde isso, se sente desnorteada, sem identidade. Já a vivência feminina, que não tem a ver com o sexo, equilibra melhor as demandas e os interesses, buscando novas formas de se constituir e de se realizar como pessoa humana, além do trabalho " seja ele prazeroso ou não.

Você fala nas suas palestras de três síndromes às quais o aposentado poderá ficar exposto.
A primeira é a Síndrome da Abstinência da Perda do Sobrenome Corporativo, com sintomas tais como necessidade de entrar na intranet da empresa, de visitá-la, de usar um crachá. A segunda é a da Alienação Fantástica, manifestada pela espera de novos convites profissionais, pela ausência de outros prazeres em viver etc. A terceira é a do Ninho Vazio, com sintomas tais como pegar no pé dos filhos exigindo uma maior presença deles na sua vida e um maior controle, implicar com o cônjuge, incomodar-se com a falta de espaço dentro de casa.

Você teve um livro destacado na Revista Previ em circulação. De que se trata? Há planos para outros?
O livro chama-se "Sobre a Vida e o Viver" no qual reflito sobre alegrias e dores, sucessos e adversidades que a existência humana oferece. Em maio de 2013, lançarei outro sobre aposentadoria, com base nas palestras que ministro, de nome "Aposentável: Decifra-me ou Devoro-te " Reflexões sobre Os Aspectos Psicossociais da Aposentadoria, Uma Provocação Cidadã".

Quem quiser obter mais informações sobre o palestrante e autor Ricardim pode visitar o blog bodecomfarinha.blogspot.com.br/ ou escrever para ricardim@bb.com.br.

 

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