Sala do Participante

Voluntariado

21/11/2005

Wilson Teixeira

Depois que parou de fumar, o aposentado Wilson Teixeira, 66 anos, que por 26 anos trabalhou no Banco do Brasil, decidiu ajudar os dependentes da mesma droga que durante 48 anos o teve nas mãos: o cigarro. Em Blumenau, Santa Catarina, onde vive desde 2003, Teixeira criou dois grupos de Fumantes Anônimos (F.A). "Fui à igreja mais próxima, no bairro Vila Nova, logo que cheguei na cidade, e falei com o padre. Ele imediatamente cedeu a sala e se colocou à disposição para ajudar a divulgar a idéia", conta.

Para criar o primeiro grupo, o aposentado não encontrou dificuldades, mas atrair fumantes interessados em participar das reuniões semanais exigiu paciência e dedicação. "Durante quatro meses eu arrumava a sala, esperava por uma hora e não aparecia ninguém. A primeira pessoa que apareceu foi uma senhora, que perguntou: Cadê o grupo? Eu disse que estava formado, pois duas pessoas já formam um grupo. Durante um mês éramos nós dois. Depois, foi chegando mais gente", lembra.

Apesar das dificuldades, o aposentado nunca pensou em desistir. "Minha vida foi feita de desafios e eu enfrentei todos. O segredo do grupo é a troca de experiências. Dizem que para parar de fumar tem que ter força de vontade, mas não é fácil. Cada caso é um caso. Quando algum dependente dá seu testemunho o outro pensa em qual caminho seguir", afirma.

Teixeira, que não fuma há sete anos, relata sua experiência. "Depois de 48 anos fumando, tive um pequeno derrame e o médico disse que se eu continuasse a fumar os remédios não fariam efeito. Quando se vê nessa situação o fumante pára de fumar por medo ou se desespera por não conseguir parar e acaba fumando mais, como no meu caso", diz.

Quando ainda morava em Brasília, onde trabalhou na direção geral do BB por 20 anos, até se aposentar em 1991, Teixeira entrou para o F.A. "Estava fumando escondido no banheiro da igreja quando entrou um membro do grupo. Ele me deu um santinho com as informações. Fui na reunião naquele mesmo dia e em um mês já tinha parado de fumar. A partir de então decidi que ajudaria outros fumantes a parar também", informa.

Criar o segundo grupo não foi tão difícil. "Um dos membros morava num bairro mais distante da igreja onde fazíamos as reuniões. Ele disse que outras pessoas de lá queriam freqüentar as sessões, mas não tinham como se locomover. Decidi então ir até eles. Montar esse grupo foi mais fácil porque havia mais alguém com experiência em reuniões e que morava na região", explica.

O que desaponta Teixeira é a falta de F.A no Sul. "Estatísticas mostram que cidades do Sul apresentam maior número de fumantes e maiores índices de mortes por doenças ocasionadas pelo fumo. Fico chateado quando pedem para ajudarmos a instalar grupos em outras cidades. Nossa ajuda é gratuita e não temos como manter o custo de ficar numa cidade por um mês ou mais. Faço tudo o que estiver ao meu alcance, mas se não há alguém que já tenha feito parte de algum projeto parecido, não há condições de aplicar o método", afirma.

No site www.fumantesanonimos.org estão disponíveis os endereços dos grupos de F.A de todo o Brasil.