|nº 125| Junho 07

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Gestor estrangeiro elogia atuação da PREVI

Participante do Encontro de Conselheiros, David Pitt-Watson, do fundo da British Telecom, destaca que aprendeu muito com a experiência no Brasil.

“Foi uma experiência única, notável. Aprendi muito.” Assim o economista inglês David Pitt-Watson definiu o Encontro de Conselheiros. À frente de uma área do Hermes (gestor de recursos do fundo de pensão da British Telecom), David é co-autor do livro The New Capitalists e foi um dos palestrantes do Encontro. Em entrevista à Revista PREVI, disse que, apesar de já ter viajado o mundo inteiro, nunca viu iniciativa igual à da PREVI, ao reunir cerca de 190 conselheiros para discutir governança.

Revista PREVI – Qual é a sua avaliação do Encontro de Conselheiros?
David Pitt-Watson
– Nenhum outro fundo de pensão que eu conheça faz algo similar. Fiquei realmente impressionado e estava pensando em como poderia traduzir o que se faz aqui para o contexto do Reino Unido, por exemplo. A PREVI adota treinamento e discussão de tópicos de maneira diferente e específica por ser um investidor que representa milhares de pessoas. Não me lembro de nenhum outro fundo de pensão, incluindo o meu, que tenha compreendido tão bem o que as pessoas gostariam de criar em termos de comportamento e responsabilidades empresariais. Foi uma experiência única, notável. Aprendi muito.

Revista – O livro The New Capitalists (“Os Novos Capitalistas”, ainda sem versão em português) fala dos cidadãos que se tornaram donos indiretos de empresas e da pressão que exercem pela adoção de ações sustentáveis. Como é esse processo?
David
– Quando você procura investimentos de longo prazo, como ações, seja por meio de fundo de investimento ou de fundo de pensão, torna-se um novo capitalista, dono indireto dessas empresas. Para o participante comum, é impensável analisar as dezenas de companhias em que a PREVI tem participação. Mas digamos que uma empresa em particular me interesse e eu queira saber sobre seu desempenho financeiro, socioambiental etc., e sobre o que o meu fundo de pensão está fazendo a respeito de tais questões. Não custa nada cobrar que essa companhia adote atitudes que a mantenham lucrativa por muitos anos, continue ajudando a garantir aposentadorias e pensões e que siga princípios da boa administração.

Revista – Qual é a importância de os acionistas adotarem postura fiscalizadora sobre as empresas?
David
– No momento, ainda fazemos pouquíssimo, mas ao adotarmos essa postura fiscalizadora reconhecemos que nós somos os novos capitalistas, ou seja, que eu e você possuímos parte dessas companhias. Essa mudança gera aumento da qualidade das informações fornecidas pelas empresas, o que é imprescindível na boa relação com os acionistas. Neste cenário, não faz sentido a companhia distribuir dividendos que, por sua vez, vão pagar aposentadorias e pensões, ao custo de graves mudanças climáticas. As empresas devem ter compromisso com questões socioambientais sem deixar de ser lucrativas.

Revista – Essa postura fiscalizadora melhoraria o gerenciamento dos investimentos por parte de fundos de pensão?
David
– A PREVI me impressionou muito nesse tópico. É importante ser acionista cioso de suas responsabilidades, pois só assim é possível persuadir os gestores de empresas a também cumprir com suas responsabilidades. É uma questão crucial para fundos de pensão que devem ter essa atitude também em nome de seus associados, que, por sua vez, devem ter consciência de que são acionistas.