A educação financeira no país ganha cada vez mais atenção. É comum se deparar com o tema nos diversos veículos da mídia, seja na televisão, nos jornais impressos ou na internet. Ainda assim, o endividamento ainda é uma questão cultural e o resultado do esforço levará algum tempo. Especialistas afirmam que os brasileiros tendem a não se preocupar com as finanças, a não planejar e tampouco controlar o orçamento. E, muitas vezes, os hábitos começam desde cedo. Pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) revela que um em cada quatro universitários adota comportamento de risco com o uso do cartão de crédito: atrasam o pagamento, não pagam o total da fatura e têm débitos acima ou igual a R$ 1.000. O resultado disso é o aumento da inadimplência, contas no vermelho e sonhos frustrados.
Para tentar resolver o problema, o educador financeiro Reinaldo Domingos propõe em seu último livro, Livre-se das dívidas, uma mudança radical na forma de combater os mecanismos do endividamento. Ele sugere dez passos:
01) Fazer um diagnóstico financeiro anualmente;
02) Ter no mínimo três sonhos (curto, médio e longo prazos);
03) Elaborar um orçamento financeiro mensal;
04) Poupar mensalmente parte do que ganha para os sonhos;
05) Gastar menos do que ganha;
06) Ter limites de cartão de crédito inferiores a seus rendimentos;
07) Não usar cheque especial;
08) Manter reservas para situações emergenciais;
09) Distinguir o que é essencial do que é supérfluo;
10) Comprar sempre à vista e com desconto.
Pequenos passos
O especialista internacional em realização pessoal e liderança motivacional, Nido Qubein, afirma que ter sonhos é saudável para as finanças pessoais. "Cada pessoa deve definir metas para alcançar seus sonhos. Objetivos são os pequenos passos que você toma para alcançar vários níveis de sucesso que levam aos sonhos. O indivíduo pode decidir que vai procurar oportunidades que levarão a certa quantidade de dinheiro a ser conquistado em um determinado período de tempo. Por exemplo, a pessoa determina que quer fazer uma certa quantia de dinheiro depois de um ano, outro valor depois de cinco anos e outro montante depois de dez anos. Ao separar o grande sonho em menores, os objetivos serão atingidos mais facilmente", diz Qubein.
Metas e objetivos
Para Qubein, os sonhos são importantes porque eles dão motivação para trabalhar, mas afirma que também é normal ter objetivos sem um sonho. "Sonhar é importante, mas não é exatamente necessário para atingir o sucesso. Ter metas e objetivos, por outro lado, é essencial", afirma.
Premiado pela revista Forbes em 2008 como o sexto maior conferencista motivacional do mundo, Qubein, explica que ter objetivos é imperativo. "Eles traçam o destino do cidadão. Mesmo se a pessoa não tiver sonhos, deve ter metas, a fim de sobreviver. Algumas pessoas têm uma meta de apenas acordar, comer, ir trabalhar, comer de novo e dormir mais uma vez. É uma meta pequena, mas precisa ser alcançada todos os dias. Outras pessoas têm objetivos maiores e, como resultado, buscam alcançar sonhos maiores. Você pode ter metas sem sonhos, mas você não pode ter sonhos sem metas", diz Qubein.
No vermelho
Para quem está no vermelho, Qubein, sugere sonhos/ metas de curto prazo. "Mudando pequenos hábitos é possível fazer uma grande diferença. Por exemplo, traçar uma meta de curto prazo como deixar de comprar um café por dia e comer em casa ao invés de restaurantes", indica o especialista. Em seguida, Qubein afirma que é interessante pensar no médio prazo e focar em pagar a dívida. No longo prazo, a abertura de uma poupança, por exemplo. "A pessoa vai perceber que pode controlar sua vida novamente e sua autoconfiança vai voltar", explica Qubein.
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